Ativista indiano é preso por vender urina de vaca para combater o coronavírus

O ativista indiano Narayan Chatterjee distribuindo urina de vaca para combater o coronavírus

Um ativista foi preso na Índia depois que um voluntário adoeceu por beber urina de vaca para combater o novo coronavírus. Narayan Chatterjee, do Partido Bharatiya Janata, foi preso pela polícia estadual de Bengala Ocidental na terça-feira. Em um vídeo que circula nas redes sociais, o homem aparece um um vidro do líquido e dando para pessoas beberem pelas ruas da cidade. Ele só foi preso após uma queixa do voluntário que ficou doente.

"Ele foi preso por organizar o evento de consumo de urina de vaca e obrigar um voluntário cívico a beber o líquido. O voluntário cívico ficou doente na terça-feira e apresentou uma queixa à polícia. O ativista do BJP foi preso na terça à noite", disse o chefe da polícia de Kolkata, Anuj Sharma, à agência de Notícias "AFP".

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O presidente do patido, Dilip Ghosh, disse que a prisão de Chatterjee foi "infeliz". O político lembrou que a Índia é "um país democrático" e que "todo mundo tem o direito de expressar sua opinião.

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" É uma pena que Chatterjee tenha sido preso por expressar sua opinião na organização do evento. Não sabemos se o voluntário cívico foi forçado a beber urina de vaca", disse Ghosh.

Cerca de 1,3 bilhão praticantes do hinduísmo consideram as vacas sagradas e acreditam que beber urina do animal é "uma panaceia para todos os tipos de doenças", desde artrite e asma até câncer e diabetes. Na semana passada, dezenas de ativistas hindus realizaram uma festa com urina de vaca na capital Nova Délhi, onde realizaram rituais de incêndio e beberam o líquido de xícaras de barro para combater a Covid-19.

Um comerciante de leite do mesmo estado foi preso na terça-feira por vender urina e esterco de vaca e alegar que "manteria o novo coronavírus sob controle", disse à AFP um oficial da polícia do distrito de Hooghly, Humayan Kabir. O homem pendurou um pôster em sua loja com as palavras "Beber urina de vaca para evitar o coronavírus", e disse à polícia que se inspirou a vender os excrementos depois de ouvir sobre a festa de Delhi.

O governo disse na quarta-feira que houve 151 casos positivos e três mortes pelo vírus na Índia, o segundo país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de pessoas. A maioria das escolas, instalações de entretenimento, incluindo cinemas e até o icônico Taj Mahal já foram fechadas na Índia para tentar impedir a propagação do surto.