Ativista saudita Loujain al-Hathloul é libertada

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A ativista saudita Loujain al-Hathloul, em foto sem data publicada em 6 de agosto de 2019 no Facebook

A ativista saudita dos direitos das mulheres Loujain al-Hathloul foi libertada, anunciou nesta quarta-feira (10) sua família, enquanto o reino enfrenta pressão dos Estados Unidos por sua política em questões humanitárias.

"Loujain foi libertada", anunciou no Twitter sua irmã Lina, que afirmou que ela "está em casa depois de 1.001 dias de prisão".

Loujain al-Hathloul, de 31 anos, foi sentenciada em 29 de dezembro a cinco anos e oito meses de prisão, sob uma lei "antiterrorista".

Sua prisão, junto com a de outras mulheres, ocorreu em maio de 2018, dias antes de as sauditas serem autorizadas a dirigir, uma reforma pela qual as detidas militavam.

A sentença foi acompanhada de uma suspensão da pena de dois anos e 10 meses, desde que não cometesse "novo crime em três anos".

Levando em consideração o período de prisão preventiva, a família esperava sua libertação em março.

O tribunal também proibiu a ativista de deixar o reino por cinco anos, informou sua irmã Lina, acrescentando que Loujain pretende apelar da decisão.

"Loujain está em casa, mas não está livre. A luta não acabou", disse.

As autoridades sauditas não comentaram oficialmente sobre a prisão, julgamento ou libertação da jovem.

A sua libertação "após uma terrível provação (...) é um alívio", segundo a Anistia Internacional. "Nada pode compensar o tratamento cruel que ela sofreu e a injustiça de sua prisão", ressaltou.

Sua libertação ocorre depois que o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se comprometeu a intensificar as investigações sobre o histórico de direitos humanos do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

"É uma importante defensora dos direitos das mulheres e tirá-la da prisão foi a coisa certa a fazer", declarou Biden.

Seu colega francês, Emmanuel Macron, disse que estava "feliz" pela libertação e que "compartilhava o alívio" de sua família.

Depois que o reino gozou de certa impunidade sob a presidência de Donald Trump, Biden deve pressioná-lo a libertar cidadãos americanos e sauditas, ativistas e até membros da família real, muitos dos quais estão presos sem qualquer acusação formal.

Após um julgamento no tribunal penal de Riade, em novembro passado, o caso de Al-Hathloul foi transferido para o tribunal antiterrorista, que, segundo ativistas, é usado para silenciar vozes críticas sob o pretexto de combater o terrorismo.

O ministro das Relações Exteriores, o príncipe Faizal bin Farhan, disse à AFP que Al-Hathloul foi acusada de manter contato com Estados "hostis" e fornecer informações confidenciais.

Sua família, porém, afirma que não há evidências a esse respeito.

Enquanto algumas ativistas presas foram libertadas provisoriamente, Al-Hathloul e outras permaneceram na prisão sob acusações que os grupos de direitos humanos descreveram como opacas.

A mídia saudita pró-governo as descreveram como "traidoras". A família de Al Hathloul afirma que elas sofreram assédio sexual e tortura durante o período de detenção.

A prisão de mulheres ativistas trouxe à tona o histórico sombrio dos direitos humanos do reino, uma monarquia absoluta que também enfrentou duras críticas pelo assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi em 2018 em seu consulado em Istambul.

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