Ativistas de direitos humanos são detidos em Belarus

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Ativistas bielorrussos protestam com bandeira de Belarus, símbolo da oposição

Os serviços de segurança de Belarus revistaram, nesta quarta-feira (14), os escritórios de ao menos doze organizações, incluindo os principais grupos de direitos humanos, e prenderam vários ativistas em outro golpe à oposição.

Um dia antes, o presidente Alexandre Lukashenko pediu para "levar à justiça" as "ONGs sujas" que, segundo ele, cultivam o "terror" no país. As declarações foram dadas durante uma reunião de mais de cinco horas na Rússia com seu homólogo e principal aliado, Vladimir Putin.

Durante meses, o governo de Lukashenko lançou uma ofensiva contra opositores, jornalistas e ativistas, com a esperança de silenciar definitivamente o histórico movimento de protesto de 2020 contra sua reeleição.

Enquanto as autoridades inspecionaram, na semana passada, veículos da imprensa independente, a organização em defesa dos direitos humanos Viasna afirmou nesta quarta-feira que sua sede em Minsk e as casas de ao menos cinco de seus membros foram revistadas.

Viasna afirmou também que dez de seus membros foram detidos, entre eles, seu diretor, Ales Beliatski.

Segundo a organização, outros ativistas em Minsk e na região foram alvos de ataques.

"O governo não tem mais o controle e disfarça usando a violência e a arbitrariedade", disse no Telegram a opositora no exílio, Svetlana Tikhanovskaia, que acredita que o poder espera "sentir-se forte de novo calando a boca de todo o mundo no país."

A ONG Anistia Internacional denunciou em comunicado a “destruição de uma sociedade civil no coração da Europa”.

- Onda de repressão -

As revistas também foram realizadas em escritórios de ao menos seis ONGs: Viasna, Belarusski Helsinki Comitet, Gender Perspectives, Lawtrend, Imena, Human Constanta.

Além disso, tiveram como alvo as instalações da Associação de Jornalistas de Belarus, do partido da oposição Frente Popular, do movimento dissidente "Pela Liberdade", um grupo de pesquisa econômica (BEROC), uma agência de comunicações (OEEC) e uma organização que ajuda os bielorrussos que vivem no exterior.

As autoridades bielorrussas também bloquearam, na semana passada, o acesso a Nacha Niva, um dos principais veículos de comunicação online da oposição, e realizaram uma série de revistas em jornais independentes e da oposição, assim como em jornais regionais.

Essas revistas ocorreram um dia depois que Viktor Babaryko, de 57 anos, uma figura de destaque da oposição, foi condenado a 14 anos de prisão por corrupção. No momento de sua prisão em junho de 2020, era considerado o adversário mais sério de Lukashenko para as eleições presidenciais.

Minsk também deteve um jornalista da oposição no exílio, Roman Protasevich, no final de maio, gerando protestos internacionais.

Para denunciar a repressão, a União Europeia, os Estados Unidos e outros países ocidentais sancionaram autoridades bielorrussas e setores econômicos importantes.

Lukashenko, que está no poder desde 1994, foi reeleito em agosto para um quinto mandato com 80% dos votos, de acordo com a contagem oficial.

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