Ativistas filipinos pedem para 'nunca esquecer' os abusos da ditadura de Marcos

Ativistas filipinos pediram nesta quarta-feira (21) para "nunca esquecer" os abusos cometidos pelo ex-ditador Ferdinand Marcos, ao relembrar os 50 anos desde que impôs uma lei marcial.

A Anistia Internacional afirma que milhares de pessoas foram assassinadas e dezenas de milhares torturadas e presas sob a lei marcial imposta em 21 de setembro de 1972, que deu total liberdade às forças de segurança para agir contra os dissidentes.

O 50º aniversário dessa data acontece com o filho do ditador, Ferdinand Marcos Junior, como presidente das Filipinas. Os ativistas pedem que ele reconheça essa violência.

"Os Marcos têm ao menos que reconhecer seu papel nesses dias sombrios", disse Carlos Conde, pesquisador da ONG Human rights Watch, em um evento de ativistas e vítimas para lembrar a data.

"Sem dizer a verdade, sem espaço para os filipinos entenderem e aceitarem o que aconteceu durante a lei marcial, nunca encontraremos um desfecho, nunca poderemos seguir em frente", acrescentou.

Centenas de manifestantes realizaram protestos pacíficos na capital Manila carregando faixas com os dizeres "nunca mais".

- Reconhecimento das vítimas -

"Um país que não lembra sua história está condenado a repeti-la, como dizem", expressou John Magtibay, um estudante de cinema de 22 anos que protestava na Universidade das Filipinas.

"Estamos começando a ver isso agora", acrescentou.

Meio século depois, cerca de 11.103 pessoas foram oficialmente reconhecidas como vítimas de tortura, assassinatos, desaparecimentos forçados e outros abusos.

Essas pessoas foram indenizadas com parte da riqueza, estimada em bilhões de dólares roubados por Marcos e sua esposa Imelda, que fugiram do país em 1986 após uma revolta popular.

No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que esses abusos nunca foram verdadeiramente reconhecidos e os responsáveis nunca foram punidos.

Marcos foi deposto em 1986 em uma revolta popular sem derramamento de sangue e a família foi para o exílio.

Após a morte do ditador em 1989, a família voltou para as Filipinas e protagonizou um retorno coroado com a vitória de Ferdinand Marcos Jr nas eleições presidenciais de 9 de maio.

A vitória foi auxiliada por uma campanha massiva de desinformação online para limpar a imagem dos Marcos, assim como os abusos e corrupção da ditadura.

Vítimas desse período e ativistas acusam Marcos Jr e seus apoiadores de distorcer os fatos e apresentar aquele período como uma "idade de ouro" para as Filipinas.

"A luta continua. Nunca devemos esquecer", disse a ex-prisioneira política Bonnie Ilagan, que sofreu repetidas torturas durante seus dois anos de cativeiro.

Ilagan, entre outros, acusam os aliados de Marcos no Congresso de cortar o orçamento e enfraquecer as agências governamentais encarregadas de preservar o passado da nação.

O atual presidente, que elogiou seu pai diversas vezes, disse na semana passada que a lei marcial era "necessária" para proteger o país contra as insurgências de comunistas e muçulmanos.

"Reconhecemos os problemas que ocorreram, os abusos que ocorreram como em qualquer guerra", disse Marcos. Mas os críticos estão "equivocados" ao chamar seu pai de "ditador", acrescentou.

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