Ativistas pedem renúncia de presidente dominicano por caso Odebrecht

Santo Domingo, 19 jun (EFE).- Um grupo de intelectuais, acadêmicos e ativistas da República Dominicana pediu nesta segunda-feira a renúncia do presidente Danilo Medina como saída para a crise que o país vive após o caso Odebrecht, pelo qual estão presos oito políticos e empresários locais.

Em um comunicado de apoio ao coletivo Marcha Verde, formado após o escândalo, o grupo propôs a renúncia de Medina e de "todos os corruptos", bem como um acordo que promova um governo de transição, cujo compromisso principal seria a organização de uma Constituinte por eleição popular.

"O objetivo central e imediato da luta cidadã é provocar a renúncia de Medina por ser um presidente ilegítimo que se reelegeu violando a Constituição e a legislação eleitoral e utilizando os subornos e o superfaturamento das obras públicas contratadas com a transnacional mafiosa Odebrecht", apontou.

Isto implicaria, acrescentou, "novas eleições presidenciais, parlamentares e municipais em um prazo de um ano".

Medina chegou ao poder em 2012 e foi reeleito por mais quatro anos em 2016.

No momento há 14 envolvidos no caso dos pagamentos de propina no valor de US$ 92 milhões que a construtora brasileira admitiu ter feito no país entre 2001 e 2014, dos quais oito estão presos, após o juiz da Suprema Corte de Justiça Francisco Ortega Polanco impor no último dia 7 de junho as medidas de coerção correspondentes.

Entre os detidos estão o ex-ministro de Indústria e Comércio Temístocles Montás e o presidente do Partido Revolucionário Moderno (PRM, principal de oposição) e ex-presidente do Senado, Andrés Bautista.

Outro dos acusados é o empresário Ángel Rondón, apontado como a pessoa que distribuiu as propinas.

Entre os envolvidos no caso Odebrecht no país, que atingiu os dois principais partidos políticos locais, há dois senadores do Partido da Libertação Dominicana (PLD, da situação) e um deputado do PRM, que têm imunidade parlamentar. EFE