Ativistas sobre liberação de seios no Instagram: "Vitória contra a gordofobia"

Lucas Pasin
·4 minuto de leitura
Bianca Barroca é uma das ativistas que comemorou as mudanças
Bianca Barroca é uma das ativistas que comemorou as mudanças

A partir desta quarta-feira (28) as plataformas do Instagram e Facebook mudarão sua política para a exibição parcial dos seios em fotos. Esta é uma vitória para diversos ativistas contra a gordofobia que protestaram e criaram uma campanha pedindo que fotos de mulheres gordas deixassem de ser censuradas nas redes sociais.

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Ao Yahoo, o Instagram deu detalhes sobre as mudanças e afirmou que ouviu sim o movimento ‘body positive’ na web.

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"Com a ajuda de diversos especialistas e criadores da comunidade de Body Positive ao redor do mundo, estamos atualizando nossas políticas para evitar que imagens de corpos gordos e maiores sejam removidas erroneamente. Imagens ou vídeos de seios sendo apertados não são permitidos no Instagram, pois isso costuma ser comumente associado a conteúdo pornográfico. Sabemos, no entanto, que a aplicação desta política específica pode levar a erros, especialmente com relação à comunidade de Body Positive e corpos gordos e maiores", informou a assessoria do Instagram por meio de nota.

O protesto começou após a modelo Nyome Nicholas-Williams postar uma foto em que aparecia segurando e cobrindo parcialmente os seios. A foto seguia uma pose comum de fotos artísticas femininas, mas a imagem foi removida pelo Instagram, que alegou 'nudez e pornografia'. Um abaixo-assinado online chamado 'Instagram, pare de censurar mulheres negras gordas' reuniu mais de 22 mil assinaturas.

O Yahoo buscou ativistas brasileiras, que fazem parte da luta contra a gordofobia nas redes sociais, para ouvir o que elas acharam das mudanças. Confira:

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Observando o sistema! #gordofobia #saudemental

Uma publicação compartilhada por Ellen Valias (@atleta_de_peso) em

Ellen Valias, Atleta de Peso:

“É obrigação do Instagram rever suas normas, se tratava realmente de uma questão de gordofobia e racismo. As pessoas que estão no poder dessa rede social precisam rever o quanto a plataforma ainda é racista e gordofóbica, e o quanto ainda age dentro do ‘padrão’. Essa nova atitude é um começo para que tenham um olhar diferente sobre nós. Espero que o Instagram passe a escutar mais nossas vozes. Ataques acontecem todos os dias e a plataforma precisa saber e nos escutar. É um começo e eles não fazem mais do que a obrigação.”

Bianca Barroca:

“Acredito que essa seja uma mudança importante na luta contra a gordofobia. Não só para que nossos corpos possam ser mostrados sem censura, mas também para mostrar para o mundo que uma empresa poderosa como o Instagram está nos ouvindo. Ainda não sabemos como essa medida vai acontecer na prática e se a censura de corpos gordos vai acabar. O importante é ter ficado claro que não se trata de pornografia. A luta contra gordofobia é vista como um tabu, enquanto atitudes gordofóbicas são facilmente aceitas. Eu só entendi que algumas características do meu corpo não eram erradas ou estranhas quando percebi que eu admirava e seguia pessoas que compartilhavam das mesmas características. Precisamos tornar o corpo gordo conhecido, normalizado e, por que não? Apreciado!”.

Ninna Oli:

“Estou na torcida para que isso realmente se cumpra! Se a nova política funcionar, é uma grande vitória para a gordosfera e para o movimento contra a gordofobia na internet. Vai planeta!”.

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Desde sempre, a sociedade em geral nos ensina a odiar nossos corpos seguindo um padrão ilusório de beleza, e nos fazendo crer que somente esse padrão é o que tem que ser seguido. Mas isso não é verdade. Todos somos diferentes um dos outros e os corpos tambem seguem essa diferença. Por anos odiei meu corpo e o maltratei de diversas formas. Praticando dietas que não funcionaram, levei meu corpo a exaustão de exercícios, tomei remédios para emagrecer, fiz redução de mama, hidrolipos agressivos, tudo pra tentar se encaixar nesse padrão que não existe, e sempre em busca de emagrecimento e não de saúde. Nessa busca, por mais que pesasse pouco, não tinha saúde — foi uma época que minha saúde era péssima. Até que eu conheci uma prática libertária, de auto cuidado e auto conhecimento chamada yoga. Foi nela que me reconectei com meu corpo. Foi nela que descobri o amor próprio. Foi nela que entendi de fato que está tudo bem ter um corpo gordo, afinal, somos diferentes e que a palavra gorda não é um xingamento e sim uma forma, a forma que é o meu corpo. A partir da yoga pude me vivenciar e me reconectar com meu íntimo, com minha mente e com o meu corpo. Foi ali que aprendi que saúde é ter um corpo saudável independente do tamanho que ele seja. Hoje eu peso 110 kgs, tenho 40 anos e estou na minha melhor fase de saúde física e mental e em uma relação saudável e amorosa comigo mesma. Texto escrito para o site https://vctemfomedeque.com/2020/08/05/pode-o-corpo-gordo-praticar-yoga/ Foto para o #projetosoular da querida @brunaferreiraretratos #yoga #yogaparatodosbrasil #yogagorda #yogaparagordes

Uma publicação compartilhada por Vanessa Joda (@vanjoda) em

Vanessa Joda:

“Que notícia boa, né? Não mais do que a obrigação do Instagram. Eu mesma, quando posto fotos em postura de ioga e que estou sem roupa, sem aparecer nada dos seios, já passo por censura e minhas fotos são deletadas. Vejo as mesmas poses que eu faço em perfis de mulheres magras e elas não são deletadas. Não podem silenciar pessoas gordas, não pode mais fazer isso. Foi muito importante essa movimentação toda para que o preconceito acabe. E digo mais, acho que o algoritmo do Instagram também pode bloquear pessoas gordas, negras, trans, pessoas com deficiência, tudo que foge a norma. Somos censurados sempre de alguma forma. É bem cruel. Mas essa mudança é sensacional”.