Ativistas temem maior repressão a curdos no Irã

Ativistas de direitos humanos expressaram temores neste domingo de que o Irã esteja realizando uma repressão a uma cidade habitada por curdos, onde houve intensos protestos contra o regime nos últimos dias.

Grupos de direitos humanos relataram que as forças de segurança enviaram reforços para a cidade de Mahabad, no oeste do Irã, e divulgaram imagens e gravações de áudio de tiros e gritos à noite.

As manifestações começaram em meados de setembro após a morte na detenção de Mahsa Amini, de 22 anos, presa por violar o rígido código de vestimenta da República Islâmica. É o maior movimento para desafiar a República Islâmica desde a sua proclamação em 1979.

Os primeiros protestos ocorreram em áreas povoadas por curdos do Irã, incluindo uma marcha durante o funeral de Amini em Saqez, antes de se espalhar por todo o país.

A ONG norueguesa Hengaw denunciou que "agentes armados" foram enviados a Mahabad de Urmia, a principal cidade da província do Azerbaijão Ocidental. "Nas áreas residenciais de Mahabad, há muitos disparos", informou no Twitter.

A organização postou vídeos de helicópteros sobrevoando Mahabad, que diziam transportar membros da Guarda Revolucionária, para reprimir os protestos.

Empresas da região planejavam entrar em greve neste domingo para protestar contra a violência das forças de segurança, afirmou.

- "Situação crítica" -

A organização Iran Human Rights (IHR), que também tem sede na Noruega, divulgou imagens da noite de sábado com tiros ecoando pela cidade.

Seu diretor, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que as autoridades "cortaram a eletricidade e foram ouvidos tiros de metralhadora".

Os curdos são uma das principais minorias não persas no Irã e muitas vezes são sunitas em um país predominantemente xiita.

A agência de notícias iraniana Tasnim acusou "desordeiros" de "semear o terror" na cidade, incendiando casas pertencentes a seguranças e militares e bloqueando ruas. Informou que a maioria dos criminosos foi presa, sem que ninguém tenha sido morto, e que a calma voltou à cidade.

Hengaw havia alertado no sábado que a situação era "crítica" na cidade de Divandarreh, na província ocidental do Curdistão, onde forças do governo mataram pelo menos três civis.

A organização também expressou preocupação neste domingo com outras cidades povoadas por curdos, com explosões ouvidas em Bukan e Saqez, além de tiros em Bukan.

Hengaw também postou imagens, que afirma serem da cidade de Sanandaj, também na região, mostrando uma mulher sendo baleada por forças de segurança enquanto tentava fugir.

Segundo a IHR, a repressão aos protestos deixou pelo menos 378 mortos, incluindo 47 crianças, em todo o país.

As autoridades também condenaram cinco pessoas à morte por envolvimento nas manifestações.

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