Atleta que fez vaquinha para Mundial de kickboxing recebe patrocínio e poderá representar o Brasil

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RIO — Haialas Souza, de 26 anos, vai realizar o sonho de representar o Brasil no Mundial de Kickboxing na Itália, em outubro deste ano. Até a última sexta-feira, porém, ele não tinha essa certeza: sem recursos para os custos da viagem, o atleta vendia trufas em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e contava com a ajuda de uma vaquinha online. O dinheiro arrecadado ainda não é suficiente, mas sua história teve um final feliz. Com a repercussão da campanha, ele conseguiu um patrocínio e está garantido na competição.

Hexacampeão paulista, tricampeão brasileiro, campeão da Copa do Brasil e medalhista pan-americano e sul-americano em competições da sua modalidade - o currículo de Souza é extenso. São cerca de 10 anos no kickboxing, com passagens também pelo muay thai e pelo judô. Seu início foi com a capoeira, no colégio.

Ainda assim, o atleta não tinha condições de representar seu país na Itália. Ele foi convocado pela Confederação Brasileira de Kickboxing (CBKB) para integrar a seleção, mas não recebe bolsa para o esporte nem auxílio de sua cidade.

Por isso, teve a ideia de criar uma vaquinha online: sua meta era arrecadar, no total, R$ 30 mil para os custos de passagem, hospedagem, alimentação e transporte. Até então, só tinha conseguido R$ 990. Para completar, vendia trufas em sua cidade, contando sua história.

Na última sexta-feira, porém, Souza foi surpreendido por Vanderlei Garcia, um empresário do ramo automobilístico que prometeu bancar sua participação no Mundial. A competição acontece na cidade italiana de Jesolo Lido, de 14 a 24 de outubro. Depois de tomar conhecimento da campanha do atleta, Garcia quis ajudar e acredita que ele pode chegar longe.

A história ganhou tanta repercussão que chegou até o pugilista Esquiva Falcão, medalhista olímpico pelo Brasil em 2012, nos Jogos de Londres. Ao compartilhar a campanha de Souza, Falcão prometeu colaborar e reforçou a trajetória “guerreira” do lutador de kickboxing.

— Estou muito feliz por tanto reconhecimento, depois de 10 anos. Sinto muita gratidão. Sou de um bairro carente, quantas vezes fui a pé dar aulas para crianças, para ver os sorrisos, mostrando o esporte. Quero agradecer ao empresário e estou muito feliz. Mas só vou poder dizer que estou realizado quando conseguir levantar a bandeira do Brasil com a medalha de ouro — disse Haialas Souza.

‘Tenho vocação para ajudar mais pessoas’

Desempregado, ele trabalhava como servente de pedreiro e hoje vive do que recebe em sua academia, o CT Haialas. Seu rendimento é baixo: Souza dá aulas de kickboxing, muay thai e krav magá para crianças e adultos e cobra cerca de R$ 50 por mês, mas somente para os alunos mais velhos. Foi a mãe de um dessas crianças, Amanda Alves da Silva, que resolveu doar as trufas que o lutador vende em Ferraz de Vasconcelos.

— É para matar um leão por dia. Na fase vermelha da pandemia, eu quase fechei. Cheguei a chorar. E é o meu sonho, quero continuar levando o esporte. Se as pessoas soubessem como o esporte muda a sua vida…É por isso que eu estou no caminho do bem, graças a Deus e ao esporte — conta.

Mesmo com o patrocínio do empresário Vanderlei Garcia, Souza vai seguir com a arrecadação de sua vaquinha. Além de seus custos como atleta, seu sonho é ampliar o CT Haialas e oferecer aulas gratuitas para crianças com materiais de ponta.

— Mesmo se passar, posso investir no meu projeto social. Sempre foi meu sonho não cobrar nada, poder dar uniforme e equipamento de qualidade para as crianças. Esse é o meu espírito, acho que tenho essa vocação para ajudar mais pessoas — afirma.

Para contribuir com a arrecadação do atleta, basta acessar a vaquinha (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/kick-boxing-mundial-na-italia) ou enviar um pix diretamente para Haialas Souza, com a chave CPF: 36269471818.

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