Atletas brasileiros começam a ser vacinados no exterior

Carol Knoploch
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Em meio à pior fase da pandemia do novo coronavírus e sem perspectiva de vacinação para jovens saudáveis no país, ao menos atletas brasileiros residentes no exterior têm algo a comemorar. Estão recebendo doses da vacina para a Covid-19 e podem se preparar com mais tranquilidade para os Jogos de Tóquio nesta reta final. A competição está marcada para 23 de julho.

Entre os já vacinados, estão a atacante Marta, o cavaleiro Rodrigo Pessoa, a skatista Letícia Bufoni, a tenista Luisa Stefani, o atleta do levantamento de peso Fernando Reis, todos vacinados nos Estados Unidos, e Mariana Costa, do handebol, na Romênia. No Brasil não há notícias de atletas vacinados. Os técnicos das seleções de vôlei, José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto, se vacinaram porque fazem parte de grupos prioritários (por idade e por ser profissional de Educação Física). Há ainda membros das comissões técnicas, médicas e Paulo Wanderley, de 70 anos, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que evita falar em expectativa de vacinados do Time Brasil na Olimpíada.

— Estamos acompanhando a vacinação de atletas e oficiais que residem no exterior, assim como daqueles que atendem aos pré-requisitos no Brasil. O COB continuará seguindo o cronograma do Plano Nacional de Imunização. De qualquer forma, todos, vacinados ou não, seguirão os mesmos protocolos de segurança no período pré-embarque e durante os Jogos Olímpicos de Tóquio — disse Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB.

O COB está em contato com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para obter mais informações sobre a proposta do Comitê Olímpico da China, que pretende doar vacinas do laboratório Sinovac, responsável pelo desenvolvimento da CoronaVac em parceria com o Instituto Butantan, para o COI. Além disso, o COB está “fazendo uma consulta” para vacinar cerca de 25 atletas que estão em treinamento e em competições de atletismo em Chula Vista, nos Estados Unidos, uma vez que o país está com a imunização acelerada.

Cenário complicado

O cavaleiro Rodrigo Pessoa, de 48 anos, campeão olímpico em Atenas-2004 e bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000, já tomou, na Flórida, as duas doses da vacina. Ele mora há quatro anos nos EUA.

—Não é uma garantia 100% mas uma proteção muito importante. Tenho visto as notícias do Brasil e fico muito triste em ver tanta gente morrendo — lamentou Rodrigo, que tem receio de que os Jogos não aconteçam. — A questão ainda está no ar. Além da Covid-19, que é uma desgraça, tem o EHV1, uma nova cepa do herpes vírus equino, que está matando nossos cavalos. Isso complicou ainda mais o cenário para o hipismo. Muitos concursos foram cancelados — completou Rodrigo, que sonha com a sétima Olimpíada da carreira e espera poder disputar as classificatórias em maio e junho, se forem confirmadas.

A tenista brasileira Luisa Stefani, de 23 anos, baseada na Saddlebrook Academy, também na Flórida, tomou a vacina na última quarta-feira, em Charleston, onde disputava competição ao lado de sua parceira, a americana Hayley Carter.

A organização do torneio disponibilizou as doses, mesmo com alguma relutância de tenistas em se imunizar, como a bielorrussa Aryna Sabalenka, de 22 anos e sétima no ranking, que desconfia da eficácia das vacinas.

— Precisamos do nosso corpo 100% para trabalhar, e muitos atletas não têm informações sobre os efeitos colaterais, se há efeitos. Acho compreensível. Mas, mesmo assim, eu sou a favor, tanto que tomei. Acredito que é a única maneira da gente superar esse momento tão delicado — disse Luisa, que mesmo assim manterá os cuidados sanitários como o uso de máscara.

Ela, que ainda busca vaga para a Olimpíada de Tóquio nas duplas, alcançou nesta semana o melhor ranking de uma brasileira na história, a 26ª posição. Além da proteção contra o vírus, Luisa aponta que a imunização pode diminuir a quantidade de burocracia para as viagens e procedimentos para a disputa do circuito.

— Principalmente em relação aos testes antes de embarcar. Muitas vezes é difícil agendar o exame e ter o resultado tão cedo para poder viajar. Isso sem contar os diferentes documentos exigidos pelas companhias aéreas e pelos países de destino.

Prioridade na romênia

A brasileira agora segue para a Polônia, onde defende a equipe do Brasil contra o time local na Copa Billie Jean King, nos dias 16 e 17 de abril. Depois volta ao Circuito Mundial para os torneios de Stuttgart, Madri e Roma, antes do Grand Slam de Roland Garros. Ela se disse surpresa com a velocidade da vacinação nos EUA:

— Para a gente que viaja muito, é importante estar vacinado. Além de nos ajudar nos circuitos, também ajudamos as comunidades que visitamos. É muito aeroporto, muita circulação, e a imunização evita a propagação do vírus.

Ponta da seleção brasileira de handebol, que está classificada para Tóquio, Mariana Costa, de 28 anos, campeã do Mundial em 2013 e dos Jogos Pan-Americanos de 2019, já tomou a primeira dose da vacina e deverá tomar a segunda dose em abril, na Romênia, onde mora desde 2017. Ela contou que o governo local considerou os atletas de seleção, que vão aos Jogos de Tóquio, como um dos grupos prioritários, após os profissionais da saúde e pessoas em situação de rua.

— Assim que eu soube que poderia ser vacinada e que foi aberta essa oportunidade para nós atletas, procurei o serviço. Essa é uma dose de esperança para nós atletas e para todos, de que dias melhores virão — disse a atleta.