Atletas saem em defesa de Sha'Carri Richardson, mas liberação do uso de maconha está fora de pauta

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Uma das principais candidatas ao ouro nos 100 metros rasos nas Olimpíadas, a americana Sha'Carri Richardson virou o assunto do momento após testar positivo para maconha no exame antidoping. punição de um mês à velocista de 21 anos, que vai perder sua prova nos Jogos de Tóquio, ampliou o debate sobre a liberação dessa substância no esporte de alto rendimento.

Após ser suspensa pela Agência Antidoping dos EUA, Richardson recebeu apoio de atletas de diversas modalidades. Nomes como Patrick Mahomes e Odell Beckham Jr, da NFL, e o ex-campeão do UFC, Tyron Woodley, saíram em defesa da atleta nas redes sociais.

"O que é realmente loucura é que isso provavelmente nem vai ser um problema nas próximas Olimpíadas", publicou Myles Garrett, jogador do Clevelend Brows, em seu Twitter.

Apesar do tema estar em voga, o futuro próximo não é tão flexível como prevê o jogador de futebol americano. A NFL já abrandou suas regras para uso de maconha entre atletas, mas a substância está longe de deixar de ser vista como um problema no esporte.

A Agência Internacional Antidopagem (Wada) atualizou em 2021 a lista de substâncias de abuso que compõem o código mundial, e decidiu diminuir a punição pelo uso recreativo delas. O que era passível de suspensão imediata de até quatro anos, a partir deste ano passou para uma uma advertência acompanhada de um gancho de três meses. Se provado que o uso não aconteceu no dia de um evento esportivo, a pena pode ser negociada a um mês — como foi o caso da Richardson.

Sha’Carri não poderá correr os 100 metros, mas ainda pode disputar uma prova olímpica se for chamada para a prova de revezamento, que acontece em 6 de agosto, após o fim de sua suspensão de 30 dias. A pena mais branda só foi aceita pelo órgão fiscalizador internacional porque ela conseguiu provar o uso da substância fora do contexto esportivo, e se comprometeu a passar por uma espécie de reabilitação.

THC vs CBD

A maconha não é considerada uma droga de aumento de performance, e seu consumo já é liberado em 11 estados americanos para qualquer tipo de uso, inclusive no Oregon, onde foi disputada a seletiva norte-americana na qual Richardson testou positivo. Mesmo assim, a substância ainda está entre as banidas pelo código da agência mundial antidoping.

— Atualmente, não existe debate para alterar isso, o que existe é o estudo da nova lista de substâncias para 2022, inclusive a possibilidade de retirar ou acrescentar uma nova substância entre as proibidas — explica Fernando Solera, médico oficial do controle de doping da Fifa e da Conmebol.

Nesta lista da Wada estão inclusas atualmente a cocaína, o MDMA (êxtase), a heroína e o THC. Esta última, é a principal substância psicoactiva encontrada na Cannabis, proibida em qualquer nível. Já o canabidiol (CBD) é permitido pela Wada dentro ou fora de competição desde 2018, e legalizada em 31 estados americanos para razões médicas.

— O CDB a gente nem enxerga mais na máquida do laboratório. Não tem nenhum efeito entorpecente, então pode ser usado como tratamento. Mas tem que ser puro. Se tiver 0,001% de THC no meio, corre risco de ser pego no controle antidoping. Até o contato com a luz pode converter o CBD em THC, por isso ele vem num frasco escuro — alerta o médico.

Em países como EUA e Canadá, onde os produtos à base de cannabis são vendidos sem tanta burocracia, atletas fazem uso do canabidiol abertamente. Exemplos são inúmeros, como a jogadora de futebol Megan Rapinoe, o skatista brasileiro Bob Burnquist, e o tenista classificado para Tóquio, Bruno Soares. Os atletas afirmam que a substância ajuda na recuperação muscular, na qualidade do sono e no controle da ansiedade.

Esses são casos diferentes do de Richardson, que teve o THC detectado em sua urina no dia da final da seletiva americana para Tóquio-2020, no mês passado. O doping invalidou sua vitória na competição e sua suspensão dura até 30 de julho. A jovem indicou que não iria apelar, e Jenna Prandini irá substituí-la na no Japão.

Richardson compete pela Universidade de Louisiana State desde 2019 e em abril deste ano correu os 100m em 10s72, sexta melhor marca do mundo na história. Ela é a mais recente estrela do atletismo nos EUA e era uma das favoritas ao pódio olímpico.

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