Ato de Bolsonaro em Campo Grande gera polêmica com paróquia e fiéis reagem: 'Igreja não é palanque'

O comício de Jair Bolsonaro (PL) em Campo Grande na tarde desta quinta-feira, no Rio de Janeiro, tem gerado conflitos entre apoiadores do candidato à reeleição e os fiéis da Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Após bolsonaristas pedirem para usar o auditório e o estacionamento do templo para abrigarem a comitiva do presidente, frequentadores da paróquia divulgaram uma carta de repúdio ao uso eleitoral do espaço religioso. Organizadores do ato também retiraram as grades da Praça Dom João Esberard, que abriga a igreja, ação que segundo a Prefeitura não foi autorizada.

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No documento, divulgado via grupos de WhatsApp, os fiéis alegam que bolsonaristas tinham o “intuito de montar uma base para comício eleitoral” na igreja. Eles ainda criticam a iniciativa e afirmam que “igreja não é palanque”. Até o momento a Carta aberta dos fiéis católicos da Paróquia N. Sra. do Desterro já conta com aproximadamente 550 assinaturas.

“Os três clérigos católicos a que nos referimos estão acuados, com receio da não-garantia do seu direito de 'ir e vir' livremente. Funcionários da Igreja Matriz também estão sendo hostilizados. Estão erroneamente associando o nome da organização religiosa ao comício eleitoral, sendo que não houve nenhum apoio por parte dos religiosos da Paróquia, sobretudo do pároco (autoridade eclesial local), ou da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (autoridade eclesial superior)”, diz o documento.

Segundo um frequentador que não quis se identificar por medo de retaliações, os padres da igreja negaram o pedido dos organizadores do evento de Bolsonaro de usar o espaço e, com medo de represálias, optaram por manter a igreja fechada até sábado, dois dias após o ato.

— Nós, que não necessariamente somos apoiadores do candidato adversário, vemos o nosso direito de fé e de culto violados por essa quase invasão no nosso território sagrado, por quererem usar o nosso lar espiritual para fins políticos. E usar, também, nossa igreja, que é histórica, como palanque — critica.

Ele aponta ainda que, entre os organizadores do evento que pediram para usar o espaço, estava o deputado estadual Jorge Felippe Neto. Procurado, ele ainda não se pronunciou. Os frequentadores reclamam ainda que a campanha do presidente retirou as grades e cortou as árvores das praças onde o templo fica localizado.

Em um comunicado oficial da igreja, que foi compartilhado nas redes sociais nesta quarta-feira, o padre João Lucas escreve que a Praça Dom João Esberard, situada em frente à paróquia, é um espaço público de responsabilidade da Prefeitura do Rio. “Desta forma, (para) qualquer evento a ser realizado nesta referida praça, a autorização deverá ser requirida ao órgão responsável na Prefeitura”, ressaltou.

Em nota, a secretaria de Conservação confirmou a retirada as grades garantiu que a ação aconteceu sem conhecimento e “a necessária autorização da Prefeitura, o que pode configurar dano ao patrimônio municipal, na forma do artigo 163 do Código Penal”. A Prefeitura afirmou ainda que irá comunicar o fato às autoridades policiais para que sejam apuradas as responsabilidades.