Ato das centrais em SP tem drible à regra eleitoral com pedidos de voto a Lula

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SÃO PAULO, SP, 01.05.2022 - ATO/1º DE MAIO/CENTRAIS SINDICAIS/SP - Foto aérea feita com drone de ato do 1° de Maio, Dia do Trabalho, na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, neste domingo (1º). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 01.05.2022 - ATO/1º DE MAIO/CENTRAIS SINDICAIS/SP - Foto aérea feita com drone de ato do 1° de Maio, Dia do Trabalho, na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, neste domingo (1º). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As centrais sindicais promoveram um ato esvaziado de 1º de Maio neste domingo em São Paulo, e as falas dos participantes foram marcadas por pedidos de voto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que falou ao final e manteve o tom de campanha durante seu discurso aos poucos presentes.

O ato ocorreu na praça em frente ao estádio do Pacaembu e teve ainda uma série de ataques ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula foi recepcionado no palco por dirigentes sindicais que puxaram coros de "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula" e logo no início de sua fala sugeriu estar preocupado com eventual punição da Justiça Eleitoral por propaganda antecipada.

A lei eleitoral diz que não pode ocorrer pedido explícito de voto antes do início da campanha, o que ocorrerá somente em 16 de agosto. Mas, na prática, a Justiça tem sido tolerante e com raras punições para quem desrespeita a regra.

"Eu fiquei um pouco atrás [dos dirigentes] porque eu não posso falar de eleição. Eu estou aqui num ato de 1º de Maio para discutir o problema dos trabalhadores e das trabalhadoras desse país", afirmou Lula.

"Eu ainda não sou candidato, só dia 7 eu vou ser pré-candidato. Mas se preparem porque alguém melhor do que esse presidente [Bolsonaro] vai ganhar as eleições", acrescentou, para logo adotar um tom eleitoreiro e falar de projetos para um eventual governo seu.

A pré-candidatura do petista à Presidência será lançada no próximo sábado (7) em um evento em São Paulo. O provável vice do petista, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), também deve participar.

"Logo, logo vai estar tudo formalizado e nós vamos acordar num belo dia do mês de outubro, agradecendo a Deus e agradecendo à liberdade. E vamos agradecer porque a liberdade finalmente abriu as asas sobre o povo brasileiro, e nós vamos voltar a ter um país civilizado", afirmou o petista.

Pela programação original, Lula falaria às 13h, após discursos de presidentes de centrais e representantes de partidos.

No entanto, como o público presente era abaixo do esperado, colaboradores do ex-presidente decidiram postergar sua participação para as 15h30, mais próximo ao show da cantora Daniela Mercury.

A ideia era atrair mais público para o pronunciamento, reunindo os militantes e sindicalistas com os fãs da cantora baiana. Lula começou a discursar por volta das 15h50.

As centrais chegaram a sugerir que o ato ocorresse na praça da República, menor e de fácil acesso, mas a assessoria direta de Lula insistiu para que fosse na praça Charles Miller, diante do Pacaembu.

Presidente da UGT, Ricardo Patah reconheceu que os organizadores esperavam mais participantes na manifestação. "Não adianta choramingar. Esse é o exército com que contamos para ir às ruas em defesa da democracia e do trabalhador", diz.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, disse que não se trata de quantidade, mas de qualidade da presença.

"Aqui não tem sorteio de carro, nem mega-show, para atrair gente. É a qualidade de público". Durante o ato, organizadores pediram que presentes fossem para a lateral do palco.

O ato, contudo, não contou com a participação de todas as centrais sindicais. A CSB, ligada ao PDT de Ciro Gomes, não participou. Ciro disse que enviaria uma carta para ser lida durante os discursos, mas o documento não foi recebido.

Antes da fala de Lula, outros nomes do PT e da esquerda discursaram no ato. Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, convocou os apoiadores presentes a conquistarem votos para derrotar Bolsonaro no pleito deste ano e a "botar os fascistas para correr".

Haddad discursou ao lado de petistas como a deputada federal e presidente da legenda, Gleisi Hoffmann (PR), o ex-ministro Aloizio Mercadante e o presidente estadual do PT paulista, Luiz Marinho.

"O que fez Bolsonaro nesses dias? Convocou para um ato contra o STF. Vocês acham que a causa da tristeza do povo brasileiro é o Supremo Tribunal Federal?", questionou Gleisi, presidente do PT, que ouviu um "não" como resposta da plateia.

"A causa da tristeza do povo brasileiro é não ter um projeto para esse país, é ter gasolina cara, é ter óleo diesel caro, é ter gás de cozinha caro. É as pessoas irem no mercado e não conseguir comprar o necessário para poder dar sustentação às suas famílias", disse ainda a deputada.

O pré-candidato a deputado federal e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos (PSOL), chamou a reforma trabalhista realizada no governo Michel Temer de "criminosa" e fez um paralelo entre as condições de trabalho de motoristas de aplicativos e os primórdios do 1º de Maio.

"O 1º de Maio começou lá em 1886 com uma greve de trabalhadores lutando pela jornada de oito horas. E quando a gente olha hoje, quase 150 anos depois, tem jovens trabalhando 12 horas por dia em cima de uma moto ou atrás de um volante de um Uber sem ter um direito trabalhista. Essa é a nossa realidade. E é por isso que nós estamos aqui hoje", disse Boulos.

No início do ato, Bolsonaro foi repetidamente chamado de "fascista" e "genocida" pelos presentes.

"Tudo o que ele [Bolsonaro] faz é para o mal da população. Gera desemprego, tira a renda, ataca a saúde, ataca o meio ambiente. Traz a fome de volta para a vida dos brasileiros. Para solucionar isso, só tem um jeito: olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", cantou o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, o Chicão dos Eletricitários.

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