Ator aborda, em peça, vivência com doença neurodegenerativa

"Tenho muito a dizer e a perguntar", ressalta o ator carioca João Vicente. Em "Ilha do farol" — monólogo que ele apresenta até o dia 22 de novembro no Teatro Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro —, as afirmações parecem trazer, não à toa, a entonação de um questionamento (e os questionamentos, por outro lado, carregam, por vezes, o peso de uma afirmação).

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O teatro — e a certeza da dúvida — se mostram como um caminho possível para a construção de respostas. Diagnosticado, há dois anos, com Esclerose Lateral Amiotrófica, João Vicente surge no palco para dividir parte da vivência diante da descoberta da doença neurodegenerativa sem cura. E também para provocar reflexões que extrapolam o universo pessoal e particular.

"Após o contato com a doença, fui interpelado por questões como: num contexto de perda de movimento, que ações são possíveis? Que gestos nos restam? Há um gesto genuíno, essencial, que nos acompanha e que resiste em qualquer circunstância, apesar de tudo?", ele se questiona.

"Nesta pesquisa, pretendo investigar que vida – e que teatro – há para além dos movimentos e da autonomia das ações. Também pretendo pensar no contato com o outro e nas redes mútuas de apoio para a construção de uma individualidade – e de uma cena – que só existe no atravessamento pela dimensão coletiva", acrescenta o ator de 40 anos.

Os ingressos do espetáculo custam R$ 40, com valores integralmente revertidos para o tratamento do ator.

Teatro Ipanema: Rua Prudente de Morais 824, Ipanema. Seg e ter, às 20h. R$ 40. 40 minutos. Livre. Até 22 de novembro.