Ator de Belford Roxo protagoniza peça que discute em festival o racismo

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Após ser vítima de assalto, um jovem negro é apontado como assaltante. Os criminosos levaram seus sapatos, e quando ele pede ajuda, diversas pessoas dizem reconhecê-lo de outros crimes. Parece um caso, infelizmente, comum no Rio de Janeiro, mas a cena é uma peça com inspiração na realidade que estará em cartaz virtualmente amanhã no Festival de Teatro Universitário (Festu).

A esquete “Não é sobre sapatos” é encenada por Junior Melo, artista de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O ator, que também é palhaço, pretende, com a encenação, ampliar o debate sobre racismo estrutural e atingir o maior público possível.

— Todas as vezes que eu trabalhei o racismo em cena era dentro do humor. Agora tem uma pegada mais direta. Vamos falar sério sobre esse tema, que é urgente. E partindo dali a gente pode destrinchar vários outros assuntos dentro do racismo estrutural, que está para todas as pessoas pretas. Através da cena a gente consegue discutir isso — explica Junior.

Algumas das situações reais que inspiraram o texto da peça, de Cássio Duque e Thiago Catarino, são o caso de um homem branco que furtou uma bicicleta no Leblon, na Zona Sul do Rio, em junho deste ano, e o linchamento de um adolescente negro que foi amarrado a um poste no bairro do Flamengo, também na Zona Sul, em 2014, por suspeita de ter cometido um roubo.

Na peça, o protagonista se vê silenciado. A obra tem inspirações no simbolismo de rituais da cultura iorubá. O artista acredita que o espetáculo deve fomentar a discussão sobre racismo para além das violências, e que um ponto positivo é a representatividade negra no palco.

— Uma coisa que já é muito potente é um corpo jovem periférico ocupar esse protagonismo no palco. Esse lugar de contar essa história, mas a partir de mim, da minha trajetória, da minha perspectiva com relação a isso tudo.

O objetivo é fazer a peça, que será apresentada amanhã, a partir das 20h, no canal do festival no Youtube, circular por todo o território da Baixada Fluminense.

Outras três esquetes do Festu têm moradores da Baixada. “Melro”, cuja diretora é de Nova Iguaçu, e “Sei lá quando, mas é todo dia”, que tem integrantes de São João de Meriti, também serão exibidas amanhã. Na quarta , é a vez da peça “Poemas infernais”, de São João de Meriti.

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