Ator busca mudar pensamento estereotipado sobre minorias na mídia

Ator David Reis afirma que não se via em produções culturais quando era criança. Foto: Rodrigo Di Castro

Aos 23 anos, o ator David Reis comemora seu sucesso pessoal com o personagem Henrique, da novela Bom Sucesso. Nascido e criado em São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro, ele não se via em produções culturais e diz que um de seus objetivos em sua profissão é mudar essa situação para as novas gerações.

“O que mudar? Mudar o pensamento estereotipado das pessoas perante a minoria. Mas mudar também, tendo mais desenhos, bonecos, livros, novelas que dá voz a nós”, afirmou em entrevista ao blog.

De acordo com Reis, é importante que a diversidade esteja presente em todos os âmbitos, não só no mundo artístico. Porém, ele pondera que a arte precisa ser um espelho para a sociedade. “Entendo que no mundo artístico tem que ser maior, porque é o meio que dialoga mais com todos, que faz as pessoas se reconhecerem”, disse.

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Me conte um pouco sobre sua infância e adolescência. Sempre quis ser ator? Foi uma infância tranquila? O que mais lembra dessa fase?

David Reis: Morei e cresci em São Cristóvão. Minha infância sempre foi muito boa, sempre gostei muito do que via na televisão, gostava daquilo, mas achava distante, aí deixei passar alguns anos. O que eu mais lembro é as brincadeiras com os meus amigos na rua nas férias, de acordar cedo pra “tentar” soltar pipa, algo que nunca aprendi (risos). As melhores lembranças possíveis.

Quando percebeu seu talento para as artes? Me conte sobre essa trajetória.

Reis: Comecei no meio artístico bem pequeno, quando decidi fazer violino, que foi que me despertou o primeiro amor. Entrei na Orquestra de Violino Cartola Petrobras. Eu tinha uns 10/11 anos. Entrei com um sonho de ser músico, fiz diversos shows com sambistas consagrados pelo Rio de Janeiro, como Emílio Santiago, Mart’nália, Rosimeire, Jorge Aragão, e gravei o DVD de 50 anos de carreira de Alcione que aconteceu na Estação Primeira de Mangueira. Mas lá pra perto dos 18 anos, vi que a música já não era mais o que acendia meu coração e resolvi parar. Foi aí que um dia fui fazer uma aula de teatro, na Barra, e me apaixonei e nunca mais saí. Acedeu algo muito maior quando eu tinha lá meus 10/11 anos quando entrei na orquestra, aí eu realmente senti me encontrei, que ali era e é o meu lugar.

Qual a importância da representatividade no mundo artístico?

Reis: Não só no mundo artístico, mas em todo lugar é importante e necessário, mas entendo que no mundo artístico tem que ser maior, porque é o meio que dialoga mais com todos, que faz as pessoas se reconhecerem, então hoje, nesse tempo que vivemos, onde ódio chega na frente, é bom a gente se ver em cada produção, não só os negros, mas também toda a comunidade LGBTQI, e todas as minorias.

Quando você era criança, você se via nas produções? O que quer mudar?

Reis: Não, não me via nas produções artísticas do Brasil. O que mudar? Mudar o pensamento estereotipado das pessoas perante a minoria. Mas mudar também, tendo mais desenhos, bonecos, livros, novelas que dá voz a nós.

O que está aprendendo com seu personagem? Me conte sobre sua relação com ele.

Reis: Estou aprendendo muito com o Henrique, ele é uns dos jovens da vida, que vemos por aí, se você parar pra ver a história da novela, e ver o núcleo jovem, e ver que cada personagem ali tem um papel importante na vida real de muitos jovens, que está acontecendo agora, então é uma delícia. É um aprendizado mega importante porque eu estou vendo uma história de fora e vendo que tem pessoas naquela situação, eu estou aprendendo com o Henrique e afirmando que cada ato tem uma escolha, é resultado dela, é uma relação de muito amor, de empatia e de estar ao lado de um jeito mental, é um personagem intenso e desafiador, porque ele é diferente de mim.