Ator, piloto e muito mais: Caio Castro faz hoje última etapa da Porsche Cup, lembra trajetória no esporte e fala de ídolos

O primeiro trabalho de Caio Castro foi aos 14 anos como garçom de um restaurante em São Paulo. O então adolescente não queria ficar pedindo dinheiro aos pais, o comerciante Vitor Castanheira e a bancária Sandra Castro, para realizar seus sonhos de consumo. Dezenove anos depois, o intérprete do Pablo da novela “Todas as flores” lançou um criptogame 100% brasileiro chamado Evoverse. A conquista faz Caio lembrar os primeiros passos de sua trajetória, quando começou a juntar dinheiro justamente com a intenção de comprar um videogame.

— Depois de ser garçom, trabalhei como office boy, com montagem de festa de criança... Mesmo se eu fosse de ficar pedindo as coisas para os meus pais, eles não tinham como me dar. Então, achei que a melhor opção era trabalhar e não esperar que alguém me desse alguma coisa — conta o ator e empresário, que comemora: — Com o Evoverse, juntei o prazer de jogar com a possibilidade de viver do jogo. É unir o muito útil ao agradável. Com o jogo, você consegue ganhar dinheiro atrelado a uma criptomoeda. A gente tem aí na rua já mais de 1 bilhão de reais em moedas rodando. É muito significativo porque a gente já chegou a outro patamar. Tivemos um crescimento de 300% em poucos dias.

Enquanto o artista de 33 anos multiplica seus lucros na vida real em várias frentes de negócios, seu personagem na trama de João Emanuel Carneiro, exclusiva do Globoplay, trabalha como modelo e vendedor de uma grande marca de moda. Mas o rapaz planeja mesmo é ficar rico às custas do casamento do herdeiro da empresa com sua amante, a vilã Vanessa, vivida por Letícia Colin. Morador da Gamboa, o boa-pinta acaba se envolvendo, a pedido da golpista, com a deficiente visual Maíra, papel de Sophie Charlotte, que interpreta a irmã da megera.

— Todo dia em que eu recebo um bloco de texto para decorar é uma surpresa. João Emanuel Carneiro (o autor) e Carlos Araújo (o diretor) me ligaram ainda durante a pandemia para falar desse projeto. Mas, no começo, Pablo apareceu para mim com personalidade e intenções bem diferentes das que tem hoje no ar. Confesso que o trabalho está sendo bem complexo porque me preparei de outra maneira. Inicialmente, ele seria um vilão, mas não. É equivocado, porém puro, talvez até ingênuo demais — reflete ele, referindo-se ao personagem que acaba se apaixonado de verdade por Maíra e não gosta de saber que será pai de um filho de Vanessa, mas não poderá assumir a criança.

Nas redes sociais, o ator tem recebido muitos comentários do público sobre o papel.

— Durante esse período de gravação, tenho ficado muito mais dentro do trabalho do que qualquer outra coisa. O meu medidor é a rede social. Por lá, todo mundo comenta, principalmente a relação com Maíra. Acho legal. Você vê que as pessoas, apesar de tudo, se identificam com ele. Mesmo quando Pablo faz uma vilania, a galera gosta.

E se o público é fã dos malvados, o paulista de Praia Grande, litoral de São Paulo, também é. Caio diz que não toparia encarnar o mocinho.

— Eu, particularmente, também prefiro os vilões (risos). Trazem mais possibilidades, acho que dá para trabalhar de uma maneira mais interessante. Mocinho é muito chato. Acho que posso até afirmar que não faria um papel assim. Vocês não vão ver Caio Castro fazendo um mocinho nessa vida, não (risos)!

Em “Todas as flores”, ele se envolve amorosamente com antigas parceiras. Foi com Sophie que Caio estreou aos 18 anos nas novelas, em “Malhação”, após ganhar um concurso no “Caldeirão do Huck” em 2007. Na trama teen, eles formavam um par romântico e, fora das telas, tiveram um breve namoro, que durou três meses. Já Letícia foi Leopoldina, mulher de Dom Pedro I, protagonista do ator em “Novo Mundo” (2017).

— O trabalho fica até mais legal, porque a gente tem assunto para conversar. Não fica aquela coisa exaustiva. A gente consegue ter ali uma relação nos intervalos. E, para as cenas que temos, a intimidade ajuda muito — diz Caio, que não arrisca palpitar sobre os reais sentimentos do personagem: — Não sei até onde ele gosta mesmo da Maíra ou até onde isso está sendo só mais um desafio. Ainda não descobri o final de Pablo. João nem tinha definido. É uma incógnita!

Fato é que as cenas mais íntimas entre o modelo e Vanessa estão dando o que falar. E gravar essas sequências picantes não tem sido um problema para a dupla.

— Não posso dizer que são confortáveis de se fazer porque exigem muita técnica, principalmente para esconder as partes íntimas do corpo. Tem toda uma mecânica, é muito mais amarrado do que solto. Mas acho bem de boa — diz ele, que aposta que a parceira também se sente à vontade no set: — A gente se conhece desde 1800 (risos)! Vejo que Letícia fica tranquila também porque convivemos desde os meus 18 anos. Quando eu cheguei ao Rio, a gente fazia parte do mesmo escritório e já trabalhávamos juntos na época. Depois, fomos casados em “Novo Mundo”. Nossa intimidade deixa as coisas muito mais fáceis. E ela é uma baita atriz. Trocamos essas experiências sem nenhum medo de absolutamente nada.

Para deixar o corpo de Pablo nos trinques, Caio procurou um médico para equilibrar a alimentação de forma que potencializasse sua preparação física. Faz parte do processo um jejum intermitente de 14 a 16 horas três vezes por semana. E glúten e lactose são proibidos.

— Vimos que consumir determinados alimentos não me ajudava a chegar nos objetivos que queria, então foi só me adequar a esses pontos e manter meus treinos para conseguir melhorar meus resultados e usar isso a favor do personagem. Ele pede um físico mais enxuto por ser modelo — conta ele, que deixou a internet em polvorosa ao exibir o bumbum numa cena de sexo com Letícia.

As relações de Caio com os colegas, no entanto, vão além desse triângulo amoroso. O ator costumava frequentar muito o “Esquenta”, programa de Regina Casé, a Zoé da trama. Lá conheceu uma grande amiga, Nathália Santos, que é deficiente visual assim como a personagem de Sophie. Hoje, ela é assistente de direção de “Todas as flores”.

— Eu ia muito ao “Esquenta”. Às vezes, eu não era nem convidado, mas, quando sabia que eles estavam gravando, eu passava, entrava e ficava (risos). Era muito maneiro! Nathália estava sempre lá, então fiz amizade com ela.

Na novela, ao saber que a amante está grávida, Pablo insiste para a vilã deixar a ganância de lado, com a intenção de criar o bebê que ela inventa ser do perfumista Rafael (Humberto Carrão). Caio, que ainda não é pai, diz que a paternidade faz parte de seus planos.

— Eu sinto vontade de ser pai, mas por enquanto só tenho um gato e três cachorros (Valério é o nome do gato, e os cachorros se chamam Lucas, Carlos e Duque). Moro em São Paulo e fico na ponte aérea indo e vindo do Rio, onde gravo. Deixo os bichos com meu pai e minha mãe. Eles me dão essa superforça para não deixá-los sozinhos.

No que diz respeito ao status atual de relacionamento, o ator assumiu o namoro com a modelo Daiane de Paula. Embora nesta entrevista tenha deixado claro não gostar de falar de sua vida amorosa para resguardá-la, desde março, ele posta fotos junto com a namorada nas redes sociais. Já na ficção, o artista encarna um solteirão convicto no filme “Esposa de aluguel”, que vem fazendo sucesso desde o mês passado na Netflix. Na história, Luís, o personagem de Caio, contrata Lina (Tathi Lopes) para fingir ser sua namorada e assim agradar à sua mãe.

— Esse filme foi feito durante todo o protocolo de pandemia, então, foi um baita trampo. Sendo bem honesto, a gente estava fazendo uma comédia romântica com um formato muito conhecido e não estava esperando esse alcance global. A gente ficou ranqueado em top 2 do mundo, top 1 em mais de 60 países. Isso foi uma loucura. Todo mundo ficou muito surpreso — celebra ele, que não pensa numa carreira internacional no momento: — Já fiz alguns testes para uns trabalhos massa. Mas ainda não mirei nesse mercado.

Enquanto isso, aqui no Brasil os projetos de Caio estão a todo vapor. O ator tem seis empreendimentos, divididos entre investimento, sociedade e até participação em imagem, como no caso da Key Design, marca de joias masculinas para a qual ele também trabalha como diretor criativo. Na área de gastronomia, o empresário tem o JAH Açaí, que abriu a loja de número 100 em São Paulo, e a Actors Burguers, uma hamburgueria inaugurada em abril deste ano. Mas abandonar a profissão de ator definitivamente não é uma opção.

— Eu tenho um time, pessoas que fazem isso tudo acontecer. Assim, consigo estar presente e delegar funções. Tive que deixar a carreira artística um pouco de lado por alguns anos. Tanto que nesses 15 anos como ator, eu atuei em oito novelas. Praticamente, eu faço uma novela durante um ano e no outro foco numa coisa diferente. Em 2021, eu me dediquei exclusivamente às corridas de carro, e vai ser o caso do ano que vem também.

Apaixonado por automobilismo, o ator vem investindo na carreira de piloto desde 2021. De lá para cá, já até ergueu troféus. Hoje, aliás, participa da última etapa do Porsche Carrera Cup, que abre o evento da Fórmula 1:

— Eu entrei na Porsche Cup no ano passado, mas já corro há 15 anos. Estou no profissional há nove. Em 2021, fui vice-campeão. Sempre tive o desejo de correr profissionalmente. Nem tive muita pilha de ser campeão, ganhar campeonato anual. Nunca pensei muito nisso. A minha vontade mesmo, que virou uma meta e consegui realizar, era ganhar uma corrida em Interlagos. Subi no pódio no mesmo lugar em que os meus ídolos subiram — diz ele, citando: — O maior é Rubens Barrichello. No meu primeiro campeonato de kart profissional, ele correu também. Ayrton Senna é meu ídolo e da nação inteira, sem dúvida.

Ao que tudo indica, Caio é mesmo um realizador de sonhos. Mas será que sobra tempo para colocar em prática aquele da adolescência: jogar videogame?

— Não precisa nem de pausa! Levo meus videogames para todos os lugares. Tem um portátil que eu carrego comigo e, de vez em quando, vou dando uma jogadinha. Meu favorito é o Playstation, mas às vezes eu gosto de jogar um Super Mario World. Tenho todos os consoles. Estou alimentando minha criança interior (risos)!