Ator que interpreta Ciborgue relata atitudes racistas no set de Liga da Justiça

Beatriz Vaccari
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Em uma entrevista realizada na última quinta-feira (29), Ray Fisher acusou a Warner Bros. de racismo durante a produção de Liga da Justiça, em 2017. O ator interpretou Victor Stone, o Ciborgue, no longa-metragem de super-heróis da DC.

De acordo com ele, antes do processo de regravação do filme, "conversas racistas foram flagradas sendo mantidas e entretidas em várias ocasiões por antigos e atuais executivos de alto escalão da Warner Bros Pictures". Fisher ainda deu os nomes aos responsáveis: "Geoff Johns, Jon Berg e o atual presidente do Warner Bros Pictures Group, Toby Emmerich", que de acordo com The Wrap, não responderam à reportagem.

"Percebi que as anotações que acabei recebendo de Johns durante as regravações eram apenas uma versão codificada das coisas racistas que ele dizia com os outros executivos pelas minhas costas", alegou Fisher.

Ray Fisher interpretou Cyborg em <strong>Liga da Justiça</strong>, em 2017 (Imagem: Divulgação / Warner Bros.)
Ray Fisher interpretou Cyborg em Liga da Justiça, em 2017 (Imagem: Divulgação / Warner Bros.)

O ator ainda revela que o "branqueamento" na versão do filme que foi aos cinemas em 2017 "não foi um acidente nem uma coincidência." Segundo ele, o diretor Joss Whedon ordenou que a cor da pele de pessoas não brancas mudasse na pós-produção.

Além disso, Fisher acrescentou que vários atores não brancos tiveram seus papéis removidos ou minimizados, incluindo Joe Morton (que interpreta o pai de Victor Stone em Liga da Justiça), Ryan Choi, Karen Bryson e Kiersey Clemons.

Vale lembrar que não é a primeira vez que o ator do Ciborgue relata publicamente más atitudes de Whedon durante as gravações de Liga da Justiça. Em julho, Fisher publicou em seu Twitter sobre o diretor ter comportamento "grosseiro, abusivo e não profissional" no set. Ele também disse que esse tipo de comportamento foi permitido pelo presidente da DC Entertainment na época, Geoff Johns; e por Jon Berg, ex-copresidente de produção da Warner Bros. Ambos executivos não trabalham mais na empresa.

Em agosto, a Warner Bros chegou a iniciar uma investigação independente sobre o caso, o que foi comemorado por Fisher. Porém, no mês passado, o ator voltou ao Twitter para relatar que depois de falar sobre Liga da Justiça, recebeu uma ligação do presidente da DC Films em que o executivo "tentava jogar Joss Whedon e Jon Berg 'embaixo do ônibus', na esperança de que eu cedesse a Geoff Johns."

A Warner Bros chegou a declarar que Fisher nunca realmente acusou ninguém de "má conduta acionável" e também que ele se recusou a falar com o investigador contratado para apurar as denúncias.

Fonte: Canaltech

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