Atos de atual diretor-geral da PF viram alvo de inquérito que apura interferência de Bolsonaro

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 26.09.2019: O ministro do STF, Alexandre de Moraes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 26.09.2019: O ministro do STF, Alexandre de Moraes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O inquérito que apura as acusações do ex-ministro Sergio Moro sobre interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal vai ganhar novo rumo.

Responsável pelo caso, o delegado Felipe Leal decidiu que vai investigar os atos do atual diretor-geral da PF, Paulo Gustavo Maiurino.

A apuração estava praticamente parada desde setembro de 2020 no Supremo esperando uma decisão da corte sobre o formato do depoimento do presidente da República, se pessoalmente ou por escrito.

O inquérito foi retomado em julho por ordem do seu relator, Alexandre de Moraes, do STF. O ministro também determinou que Leal voltasse para a condução da investigação -o delegado tinha saído em abril, em meio a mudanças promovidas pela gestão Maiurino.

Naquela altura, informações de bastidores davam conta de que a oitiva de Bolsonaro seria o último ato da apuração, já prestes a ser concluída.

Passado esse tempo, no entanto, a situação mudou. A PF tem novo diretor-geral desde abril. Maiurino fez uma série de trocas de chefias desde então.

Em 6 de agosto, Leal pediu dados dos processos sobre duas delas: a mudança de Alexandre Saraiva da chefia do Amazonas e sobre a dispensa e não promoção de cargo do delegado Franco Perazzoni. Ambas ocorreram na atual gestão.

Responsável pela Handroanthus, conhecida como maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil, Saraiva foi autor da notícia-crime enviada ao Supremo contra Ricardo Salles. Em meio ao embate com o ex-ministro do Meio Ambiente, o delegado foi trocado da chefia da superintendência.​

Maiurino havia acabado de chegar ao cargo e, internamente, sempre alegou que sua decisão estava tomada antes do conflito aumentar.

Perazzoni, por sua vez, é o delegado que comandou a operação Akuanduba, que fez buscas em endereços de Salles, em maio.

Ele tinha sido escolhido para ser o chefe da área de Combate ao Crime Organizado na superintendência em Brasília, mas foi barrado pela direção, logo após a ação ser deflagrada. Além de não ser promovido, ele foi dispensado do cargo que ocupava.

Além desses dois episódios, o delegado do inquérito de interferência ainda pede informações sobre um outro caso, envolvendo o responsável pela investigação da facada em Jair Bolsonaro.

Rodrigo Morais Fernandes foi escolhido por Maiurino para assumir um cargo de confiança em sua gestão. O processo de nomeação chegou a ser enviado para a Casa Civil, mas não foi concretizado.

Felipe Leal foi chefe do grupo de inquéritos que investigam autoridades com foro no Supremo até abril. Com a mudança de diretor-geral, ele saiu e foi para uma função na Academia Nacional de Polícia.

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