Atos no 7 de Setembro pelo país incluem faixas golpistas em inglês e palanque para bolsonaristas

RIBEIRÃO PRETO, SP, SALVADOR, BA, SÃO PAULO, SP, RIO DE JANEIRO, RJ, CURITIBA, PR, PORTO ALEGRE, RS, RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Os atos de 7 de Setembro registrados nesta quarta-feira (7) no país contaram com um crescimento nas faixas e cartazes de tom golpista escritas em inglês e até mesmo em outros idiomas, como espanhol, francês e alemão.

Em sua maioria vestidos com camisas da seleção brasileira de futebol ou nas cores verde e amarelo, no dia da celebração dos 200 anos da independência do Brasil os manifestantes optaram por pedir o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) ou a intervenção militar no país, entre outros temas, com mensagens em tese destinadas a moradores de outros países.

A apontada ameaça do comunismo e pedidos para que ele seja criminalizado no Brasil também estiveram presentes nas manifestações, assim como mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

O fenômeno foi registrado em praticamente todos os principais atos deste feriado no país, como os ocorridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.

Em Belo Horizonte, o protesto registrado na Praça da Liberdade, tradicional ponto de encontro de manifestantes, contou com faixas de apoio a Bolsonaro com textos em inglês que pediam, "em nome do povo brasileiro", que as Forças Armadas e o presidente criminalizassem o comunismo no Brasil.

Ao seu lado, outras faixas pediam, em português e inglês, a "limpeza" no STF.

Já na capital paulista, mensagens em inglês estamparam faixas e cartazes carregados por manifestantes ou pendurados em veículos de som no ato bolsonarista realizado na avenida Paulista.

"We want printed ballots --with public counting votes", "out communism", "we the people want the end of the toga dictatorship" e "president Bolsonaro trigger FFAAS" foram algumas das mensagens exibidas pelos manifestantes.

As frases significam, respectivamente, "nós queremos voto impresso --com contagem pública dos votos", "abaixo o comunismo", "nós, o povo, queremos o fim da ditadura da toga" e "presidente Bolsonaro, acione as Forças Armadas".

"We the brazilian people want back our freedom to express, think and speak", defendia outra faixa, que pode ser traduzida como "nós, o povo brasileiro, queremos de volta nossa liberdade para se expressar, pensar e falar".

A tese de que o STF tem cerceado a liberdade de expressão dos brasileiros é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro repetidamente em seus discursos e ecoada por seus apoiadores, como se viu também no ato na avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Um manifestante usando uma camiseta amarela com a frase "Meu partido é o Brasil" e com uma bandeira brasileira amarrada no pescoço segurava uma faixa vermelha com críticas em inglês ao STF.

Em tradução livre, a frase dizia que o Supremo atua como "militante nas eleições e na política" brasileira.

O medo do comunismo também foi estampado em cartazes em Curitiba, que teve ato no Centro Cívico na tarde desta quarta. "Não ao comunismo - 100% Brasil", dizia uma das frases em inglês que eram carregadas por manifestantes usando a camisa da seleção de futebol.

Em outra faixa, bilíngue e fixada num dos caminhões de som usados no evento, os participantes do ato diziam que a população brasileira está com o presidente.

A criminalização do comunismo também foi pedida numa faixa português-inglês colocada num gramado na região da avenida Goethe, em Porto Alegre, que em cerca de 600 m de extensão abrigou a manifestação a favor de Bolsonaro.

Uma outra inscrição também exposta num gramado, em cinco idiomas, pedia a destituição dos ministros do STF, enquanto um cartaz fixado numa ponte queria a ativação das Forças Armadas.

"We want public counting of all printed votes", pedindo contagem pública dos votos impressos, outra bandeira que Bolsonaro defende, estava escrita numa faixa com as cores verde e amarela e letras em azul e branco.

Faixas com frases críticas em vários idiomas também foram exibidas em manifestações desta quarta-feira no Nordeste, como Salvador e Recife.

No ato na avenida Boa Viagem, na capital pernambucana, a luta era a favor do presidente Bolsonaro e "contra a tirania". "A Suprema Corte não respeita a Constituição", dizia uma derradeira faixa.

Na capital paulista, o ato de 7 de Setembro na avenida Paulista se tornou um palanque eleitoral para candidatos bolsonaristas, a exemplo do que ocorreu em Brasília e no Rio.

Os candidatos apoiados por Bolsonaro Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre ao Governo de São Paulo, e Marcos Pontes (PL), que disputa o Senado, discursaram para a multidão que se espalhou pela avenida --e estavam acompanhados de uma série de candidatos a deputado.

Nas palavras de ordem e nos cartazes, o público atacou o STF e chegou a exaltar a ameaça de um golpe militar.

Havia a expectativa de que Bolsonaro falasse com o público na avenida por meio de uma transmissão ao vivo ou ligação, mas o plano não foi executado por falta de sinal, segundo os organizadores.

O ato pró-Bolsonaro na Paulista reuniu um público de 50.443 pessoas, segundo estimativa do Governo de São Paulo. Esse número é inferior às 125 mil pessoas estimadas pelo estado na manifestação do mesmo feriado do ano passado.

Neste ano, Jair Bolsonaro esteve em Brasília e em Copacabana, no Rio, e não participou do ato na capital paulista, diferentemente do que ocorreu em 2021.

As estimativas do governo paulista foram realizadas pela área técnica da Secretaria de Segurança Pública, usando imagens aéreas, análise de mapas e georreferenciamento. De acordo com informações da Polícia Militar, o evento em São Paulo transcorreu sem nenhum incidente grave.

A estimativa de público também foi feita pela corporação. Os organizadores do evento não tinham feito previsão de público. No ano passado, eles falavam na estimativa de 2 cerca de milhões de pessoas, apesar do número de 125 mil apontado pelo governo estadual.

O público menor deste ano é atribuído, entre outras razões, ao tempo frio e chuvoso desta quarta, além da ausência de Bolsonaro.