Atos pelo país pedem fim da contagem e contagem até o fim

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BAURU, SP (FOLHAPRESS) - O cenário polarizado na disputa entre Donald Trump e Joe Biden vai além das cores no mapa eleitoral à medida que a apuração caminha, a passos lentos, para o fim. Em várias cidades americanas, milhares de pessoas foram às ruas com pautas que incluem a interrupção da contagem de votos (apoiadores dos republicanos) e sua continuidade (entre democratas). Em Portland, no Oregon, ao menos 11 pessoas foram presas na quarta (4), e a polícia apreendeu fogos de artifício, martelos e um fuzil. A cidade tem sido palco de protestos diários há mais de cinco meses, desde o assassinato de George Floyd, em maio. Desta vez, os manifestantes marcharam contra as tentativas de interferência de Trump na apuração eleitoral. O slogan "black lives matter" foi substituído por "count every vote" (conte todos os votos). A autodeclaração --ilegítima e prematura-- de Trump como vencedor, seguida por reiterados ataques à lisura dos votos por correio e ao processo de contagem, motivaram centenas de pessoas que foram às ruas com cartazes com dizeres como "a votação acabou, mas a luta continua". A governadora do Oregon, a democrata Kate Brown, disse que a população tem direito à livre expressão enquanto aguarda o resultado do pleito. "Mas violência política, intimidação e destruição de propriedade não serão toleradas", escreveu no Twitter. Ela convocou a Guarda Nacional para conter os atos após episódios de depredação. Em Nova York, a polícia prendeu cerca de 60 pessoas durante protestos que começaram de forma pacífica no distrito de Manhattan, mas escalaram para conflitos com os agentes quando os manifestantes tentaram bloquear o trânsito e estações de metrô. A repressão dos agentes, porém, parece ter sido mais branda do que os episódios de violência dos últimos meses, embora haja relatos de prisões feitas sem justificativa. Nas redes sociais, o Departamento de Polícia de Nova York informou que as pessoas presas tentaram "corromper um protesto pacífico". Em Minneapolis, cidade onde Floyd foi assassinado em maio, centenas de pessoas também se organizaram. A bandeira principal era a garantia da apuração eleitoral sem interferências partidárias, mas mais de 30 grupos se juntaram aos atos com pautas que variavam da luta contra a desigualdade racial a ações contra mudanças climáticas. A multidão marchou para uma rodovia interestadual, e a polícia teve que impedir o tráfego para isolar a região. Depois, os agentes cercaram os manifestantes e começaram a detê-los, sob acusações de invasão de propriedade e ajuntamento ilegal. Cerca de 650 pessoas foram fichadas pela polícia e liberadas em seguida, segundo a Patrulha Estadual de Minnesota. "Respeitamos o direito de se expressarem sob a Primeira Emenda [trecho da Constituição que prevê a liberdade de expressão], mas a rodovia não é lugar para isso", disse a corporação, em nota. Enquanto esperavam para serem fichados, participantes tocaram músicas e dançaram, em evidente contraste à violência que marcou os protestos dos últimos meses. Outras manifestações, em sua maioria pequenas e pacíficas, ocorreram em cidades como Denver, Atlanta e Oakland. A maior parte foi organizada por apoiadores de Biden --ainda favorito na corrida. Mas grupos que defendem a reeleição de Trump também se manifestaram. Um protesto de apoiadores do republicano ameaçou parar a contagem dos votos em Phoenix (Arizona). Os manifestantes, alguns deles com fuzis e revólveres, carregavam cartazes dizendo, sem provas, que a eleição está fraudada e gritavam lemas de Trump, como "Faça a América grande novamente". Ato semelhante ocorreu em Detroit (Michigan). Um grupo ficou do lado de fora de um centro de apuração de votos exigindo que os funcionários interrompessem o processo. Na decisiva Pensilvânia, grupos pró-Biden e pró-Trump se manifestaram em um centro de apuração na Filadélfia. Vestidos de vermelho --cor que representa os republicanos--, apoiadores do presidente portavam cartazes em que se lia "a votação acaba no dia da eleição" e "desculpe, as urnas estão fechadas". Como Trump, eles são contra a contagem de votos que ainda virão pelo correio --a Justiça permitiu que sejam consideradas cédulas que chegarem até esta sexta (6), desde que enviadas antes do dia 3. Em Washington, capital dos EUA e sede da Presidência, uma procissão de carros e bicicletas circulou pelas ruas em protesto contra o "ataque ao processo democrático" orquestrado por Trump. Mais de cem eventos estão programados até sábado (7), segundo a organização Protect the Results (proteja os resultados), que reúne mais de 165 grupos de ativistas. O grupo se preparava desde antes do pleito para ir às ruas como forma de tentar impedir possíveis interferências de Trump no processo eleitoral. Seus líderes têm dito que não recorrerão à violência e respeitarão o resultado da disputa se o republicano for reeleito, mas mantêm o alerta de que não se pode presumir que Trump respeitará uma transição pacífica em caso de vitória de Biden.