Atos pró-Bolsonaro buscam assinaturas para o Aliança pelo Brasil

Alice Cravo
No Rio, o ato contra o Congresso aconteceu na Praia de Copacabana

RIO - Apesar da recomendação para evitar aglomerações por conta do coronavírus, apoiadores do governo se reuniram neste domingo na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, para os atos convocados contra o Congresso. Após chamar a população para as ruas e criar uma tensão com os Poderes, o presidente recomendou na última quinta-feira que a população que ficasse em casa. Postos para coleta de assinatura para a criação do Aliança pelo Brasil, sigla que Bolsonaro tenta viabilizar após a saída do PSL, foram montados na orla.No posto 4, o carro do Movimento Limpa Brasil pediu a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a saída dos presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. Após a tensão gerada por convocar os atos, Bolsonaro afirmou que a manifestação não era contra o Congresso.LEIA MAIS: Após recomendar adiamento de atos contra o Congresso, Bolsonaro compartilha vídeo de manifestação em Belém

"Nós estamos contra as instituições, estamos contra esses safados, bandidos, que estão sabotando o Brasil", falaram apoiadores no carro de som, após citar Maia e Alcolumbre. Eles ainda questionaram a existência do coronavírus falando que era "estranho" porque as pessoas não estavam usando máscara e não havia álcool em gel entre os apoiadores."Temos mais medo de políticos corruptos do que de coronavírus. Coronavírus é um resfriado, eles são uma praga. Rodrigo Maia deve satisfação ao povo brasileiro. As pessoas foram para o Lollapalooza, jogo do Flamengo, não vejo problema de estarem aqui. Querem impedir o direito da sociedade de se manifestar", disse um dos apoiadores. Apesar de comporem o grupo de risco da nova doença, idosos são predominantes entre os presentes no ato.

Recomendação durante a live

O presidente recomendou na quinta-feira o adiamento das manifestações marcadas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Bolsonaro disse na ocasião que "já foi dado um tremendo recado para o Parlamento", mesmo tendo dito, anteriormente, que o protesto não seria contra o Congresso.

A fala de Bolsonaro foi feita durante transmissão ao vivo em suas redes sociais, ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Os dois usavam máscaras, assim como a intérprete de libras do presidente.

— O que nós devemos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas. Porque os hospitais não dariam vazão. O sistema não suporta. Daí, problemas acontecem. Pessoal fica apavorado — disse Bolsonaro.