Atos reúnem milhares em Índia e Bangladesh contra comentários sobre Maomé

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Milhares protestaram nesta sexta (10) em países como Índia, Bangladesh, Paquistão e Indonésia contra o que consideraram comentários islamofóbicos de dois membros do partido do premiê indiano, Narendra Modi, proferidos na semana passada.

Nupur Sharma, uma agora ex-porta-voz do Bharatiya Janata, fez comentários em um programa de TV sobre a idade da esposa mais nova do profeta Maomé quando eles se casaram. Ela foi suspensa da legenda e está sendo investigada pela polícia.

Depois, Naveen Jindal, outro membro do partido do premiê Modi, fez considerações sobre Maomé em uma rede social descritas como depreciativas. Ele foi expulso da sigla. Ainda que minoria, muçulmanos constituem o segundo maior grupo religioso no país --são 14,2%, atrás dos hindus (79%), mostra o último censo, de 2011.

Após as orações de sexta, dia sagrado para muçulmanos, cerca de 100 mil se reuniram em Bangladesh, de acordo com a polícia. "Nos reunimos para protestar contra os insultos de autoridades do governo indiano ao nosso profeta", disse Amanullah Aman, que protestava na capital Daca, à agência AFP. "Pedimos pena de morte para eles."

No Paquistão, a manifestação foi puxada pelo partido de ultradireita Tehreek-e-Labbaik Pakistan, que mobilizou cerca de 5.000 na cidade de Lahore, perto da fronteira com a Índia. "O profeta do Islã é como nossa linha vermelha; não ficaremos calados", disse o professor Irfan Rizvi, que participou da mobilização.

E, claro, houve protestos na Índia. Na cidade de Allahabad, a polícia usou gás lacrimogêneo contra multidões. Em todo o estado de Uttar Pradesh, onde a cidade está localizada, ao menos 109 pessoas foram detidas, informou uma autoridade local.

Na disputada Caxemira, único Estado de maioria muçulmana na Índia, autoridades cortaram o acesso à internet, restringiram as orações nas mesquitas e impuseram toque de recolher ao longo do dia.

Já no arquipélago da Indonésia, país com maior população muçulmana do mundo, cerca de 50 pessoas se reuniram em frente à embaixada indiana na capital Jacarta para protestar.

A polêmica já havia criado um imbróglio diplomático para Nova Déli. Ao menos 20 nações, como Emirados Árabes Unidos, Omã, Jordânia, Líbia e Bahrein, haviam convocado os embaixadores da Índia em seus países para cobrar esclarecimentos sobre o assunto.

A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que reúne 57 países-membros, emitiu comunicado afirmando que os atuais casos de difamação fazem parte de uma onda crescente de ódio e de práticas sistemáticas contra muçulmanos na Índia.

A organização menciona, por exemplo, a proibição do uso do hijab, o véu islâmico que cobre o cabelo e o pescoço, em escolas alguns estados indianos e pede que o Conselho de Direitos Humanos da ONU tome as medidas necessárias para pressionar a Índia em relação às práticas adotadas contra essa parcela da população.

Desde que o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata chegou ao poder, em 2014, os muçulmanos da Índia sofrem constantes ataques. Grande parte do ódio é promovida por grupos ou indivíduos próximos ao governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

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