Atrás da China em doações de vacinas, EUA ainda não definiram para onde enviarão doses

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Atrás da China em doações de vacinas e sob pressão para ajudar países mais pobres, os Estados Unidos ainda não definiram para onde vão as 80 milhões de doses de imunizantes que Joe Biden prometeu distribuir para o exterior até o fim de junho.

Em entrevista coletiva nesta quarta (19), Gayle Smith, coordenadora da resposta global à Covid do Departamento de Estado americano, afirmou que o governo não tomou uma decisão final sobre o destino dos imunizantes e disse que não poderia apresentar um plano detalhado sobre a alocação das doses.

"Estamos olhando para todas as regiões, dadas as limitações no fornecimento de vacinas literalmente em todos os lugares, e ainda não tomamos decisões finais", afirmou Smith. "Não posso dizer neste momento qual será a alocação [das doses distribuídas] por país."

Durante pronunciamento na segunda-feira (7), Biden anunciou que iria enviar mais 20 milhões de doses de vacina para o exterior até o fim do próximo mês, somando-se às 60 milhões de doses da AstraZeneca que ele já havia se comprometido a distribuir a outros países no mesmo período.

O democrata quer liderar a diplomacia da vacina, hoje comandada pela China, que já compartilhou com outros países 252 milhões de doses, ou seja, 42% do total de sua produção. Para comparação, as 80 milhões de doses prometidas pelos EUA representam 13% da fabricação local. A União Europeia, por sua vez, já exportou 111 milhões de doses, e a Rússia, 27 milhões, segundo o Wall Street Journal.

O governo americano comprou vacinas suficientes para imunizar três vezes toda a população, aplicou ao menos uma dose em 60% dos adultos do país e vinha sendo criticado por priorizar a vacinação interna, mesmo com excedentes de doses, enquanto diversos lugares do mundo estão sofrendo com aumento de casos, mortes e novas variantes, como é o caso de Brasil e Índia.

Nesta quarta, Smith deu o tom da corrida internacional. Disse que "80 milhões [de doses] é o começo" e que, com ajuda de outros parceiros, os EUA poderão expandir a ajuda ao exterior. "Podemos fazer muito, podemos estar na frente, podemos fazer o máximo, mas não podemos fazer isso sozinhos."

De acordo com a Casa Branca, as 20 milhões de novas doses sairiam do escopo dos três imunizantes já aprovados para uso nos EUA --Pfizer, Moderna e Janssen--, enquanto as 60 milhões da AstraZeneca ainda precisam do aval da FDA, agência reguladora americana, antes de serem compartilhadas.

Desde março, o governo brasileiro --por meio da embaixada em Washington e do Itamaraty-- tem pedido para receber doses excedentes de imunizantes dos EUA. Até o início desta semana, autoridades americanas não haviam dado uma resposta assertiva sobre o envio das vacinas ao Brasil, apesar de terem sinalizado ao governo brasileiro que o país era um dos destinos considerados por Biden.

O Planalto procurou a Casa Branca somente depois de a imprensa americana noticiar que Biden avaliava doar doses, e após outros países já terem feito o mesmo pedido, como o México. A embaixada dos EUA no Brasil afirma que está "ciente da solicitação brasileira" e que o governo americano teria "mais a dizer sobre como estamos distribuindo as vacinas nas próximas semanas''.

Na entrevista desta segunda, Smith seguiu o mesmo roteiro. Questionada sobre a solicitação específica do Brasil, disse que ouviu pedidos "de todas as regiões do mundo, considerando a demanda por vacinas em todos os lugares". "Vou deixar assim", finalizou.

Smith repetiu o discurso de Biden de que as vacinas são uma ferramenta de saúde pública para conter a pandemia globalmente e que a distribuição das doses pelos americanos não servirá para pressionar ou influenciar outros países. "Nossas decisões serão tomadas com base nos dados de saúde pública e na colaboração com parceiros-chave, incluindo o Covax", afirmou, em referência ao consórcio Covax Facility, iniciativa vinculada à OMS para distribuição de doses a países em desenvolvimento.

Ela disse ainda estar ciente do que chamou de "necessidade aguda" de países da América Latina e do Caribe e que conversou com vários representantes da região, sem especificar quais. Os EUA já haviam doado em março 4 milhões de doses da AstraZeneca para México e Canadá, mas o número destinado aos países vizinhos foi considerado simbólico. No fim de abril, houve o anúncio do compartilhamento das 60 milhões de doses da AstraZeneca, que estavam paradas nos estoques, sem autorização de uso pela FDA.

Agora, com a aceleração da imunização no país e a promessa de volta à normalidade em julho, Biden quer dar um passo rumo à liderança da diplomacia da vacina, espaço que, até agora, está ocupado pelos seus principais rivais geopolíticos, China e Rússia.

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