Atraso de salários no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, revolta funcionários

Giovanni Mourão
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Divulgação

NITERÓI — Funcionários do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, reclamam da falta de pagamento do 13º salário de 2020 e do não cumprimento de direitos trabalhistas pela Organização Social (OS) gestora da unidade, o Instituto Sócrates Guanaes (ISG).

O atraso no 13º é um problema recorrente no Heal: em 2019, por exemplo, o pagamento dos mais de mil funcionários da unidade foi dividido pela OS em quatro parcelas. Desde 2016, além dos atrasos de salários, as equipes médica e de enfermagem relatam irregularidades como a ausência de depósito do FGTS conforme determina a legislação e de funcionários impedidos de tirar férias.

O GLOBO-Niterói conversou com alguns desses trabalhadores, mas todos preferiram manter o anonimato com medo de represálias. A confirmação de que o 13º não será pago ocorreu no último dia 18, durante uma reunião entre a direção e seus coordenadores.

— A direção nunca nos informa nada. Sempre sabemos dos atrasos depois dessas reuniões. A informação que recebemos é que a OS não vai pagar o 13º porque não recebeu repasse do governo estadual, mas isso é mentira. Eles inventam essa mesma desculpa todo ano — disse uma enfermeira.

No dia 18, O GLOBO-Niterói verificou, no Portal da Transparência do ISG, que todos os repasses mensais do governo estadual referentes a 2020 já tinham sido quitados. Contudo, no dia 21, essas informações já não se encontravam mais no portal. Uma técnica de enfermagem conta que não tira férias há três anos:

— Estamos sobrecarregados porque a maioria dos setores do hospital foi isolada para atender pacientes com Covid. A primeira metade do 13º deveria ter sido paga em novembro, e a segunda, este mês. De 2017 até hoje, a OS também não depositou sete meses do meu FGTS. Em meio a essa pandemia, com o hospital lotado de pacientes, esse foi o nosso presente de Natal.

A Secretaria estadual de Saúde informou que não há atraso de repasses para a OS e que o último, no valor de R$ 12,7 milhões, foi feito no dia 15 deste mês. “O pagamento de salários e 13º salário aos funcionários é de responsabilidade da OS”, concluiu, em nota. A pasta, no entanto, não disse se vai averiguar a omissão de informações no Portal da Transparência do ISG nem quando se encerra o contrato entre as partes. O ISG não respondeu.

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