'Atravessam o samba', critica Mourão sobre governadores que tentam iniciar a vacinação infantil

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BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão criticou nessa quarta-feira governadores que estão tentando negociar, antes do governo federal, a compra de vacinas para imunizar crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19. Mourão disse que os governantes ''atravessam o samba''.

— Os governadores, lamentavelmente, às vezes atravessam o samba. Como foi aquela questão da compra daquela vacina russa [Sputnik V] que acabaram não comprando, não é? Então vamos aguardar — afirmou o vice-presidente.

O govenador de São Paulo, João Doria, anunciou a tentativa de negociação direta com a Pfizer para compra de imunizantes destinados à vacinação de crianças. A Pfizer, no entanto, comunicou que continuará ''as tratativas com o governo federal para definir as próximas etapas do fornecimento do contrato 2022",

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou na semana passada que ''a pressa é a inimiga da perfeição'' em relação à vacinação infantil. O cardiologista afirmou que apenas no dia 5 de janeiro ''haverá um posicionamento do Ministério da Saúde'' sobre a liberação ou não da vacina para esse público. Dias antes. a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a vacinação infantil com o imunizante da Pfizer.

Mourão comentou também sobre a abertura da consulta pública a respeito da vacinação de menores de idade contra a Covid. De acordo com o vice-governador, o governo federal quer “estar 100% calçado na hora de iniciar esse processo”.

— O governo está querendo tomar sua decisão. Existem alguns conflitos em relação a esse assunto e ele [governo] quer estar 100% calçado na hora de iniciar esse processo — declarou Mourão.

O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União nessa quarta-feira o processo de consulta pública sobre a vacinação de menores de idade. Segundo a pasta, a consulta ficará aberta entre 23 de dezembro de 2021 a 2 de janeiro de 2022.

Especialistas são contrários a essa medida. Para infectologista Luana Araújo, essa estratégia governamental é uma maneira de postergar a decisão.

— Consulta pública funciona quando há uma questão que precisa ser dividida com sociedade civil não técnica. Todas as sociedades cientificas já se pronunciaram em favor da vacinação. Essa consulta não só não deveria existir como qualquer resultado não deve interferir numa decisão que deveria ser cientifica. Isso é uma ferramenta de manipulação, de postergação de decisão, por outros interesses — afirma Araújo. — Que não há intenção de aprovação é claro, público e notório, e isso tem sido colocado de forma explicita em uma campanha antivacina pela gestão pública, mas fazer com crianças é de uma baixeza muito grande.

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