Atriz de "Rota 66" acredita que série vai prestar serviço a eleitores indecisos

Naruna Costa e Humberto Carrão em
Naruna Costa e Humberto Carrão em "Rota 66". Foto: Divulgação/Globoplay

Resumo da notícia:

  • Atriz de "Rota 66" acredita que série pode influenciar nas eleições

  • Naruna Costa diz que trama vai prestar serviço a quem tiver disposto a ouvir

  • Produção chega ao Globoplay nesta quinta-feira (22)

O premiado livro-reportagem de Caco Barcellos lançado há três décadas finalmente vai ganhar uma adaptação televisiva e há quem acredite que isso pode influenciar nas eleições presidenciais. De acordo Naruna Costa, atriz de "Rota 66 - A Polícia que Mata", a produção será importante para os eleitores indecisos por abordar a violência policial, que tem a população preta como principal alvo, de forma contundente.

"Como a gente está num Brasil muito polarizado e as discussões vão ficando cada vez mais sem escuta, o meu medo era que a série não conseguisse ser absorvida de uma forma mais porosa. O importante desse tema é poder atingir todos os tipos de formações, todas as visões possíveis", afirmou ela. "É uma série que pode prestar um serviço muito forte a respeito do debate do tema, que é o genocídio negro no Brasil", completou.

A personagem

Na trama, a atriz vive Anabela, que se vê viúva após o marido inocente ser assassinado pelos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). A partir disso, a personagem se torna uma ativista contra a repressão da polícia nas periferias.

A menos de duas semanas das eleições, Naruna acredita que a série também irá prestar serviço em prol da decisão dos cidadãos que ainda estão dispostos a ouvir. Isso porque, como citado pela artista, o país está marcado por uma polarização política muito forte. Dois pilares entre os presidenciáveis protagonizam essa disputa: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

"Num momento mais calmo, poderia ser mais interessante, mas vai prestar serviço a quem estiver disposto a ter uma escuta. Os que já decidiram e estão na defesa de seus pontos de vista terríveis, os mais reacionários, eles não estão dispostos a esse momento, eles estão com os ouvidos fechados", refletiu.

Ela continua: "Mas tem alguns que conseguem ter os olhos e ouvido abertos e atentos, que ainda não tenham entendido muito que se trata essa polarização, talvez a série sirva muito bem".

A atriz ainda pontuou como a produção retrata um Brasil próximo do que estamos vivendo, embora aborde uma obra publicada há 30 anos, e ressaltou a possível influência na escolha dos representantes do governo. "Não é difícil fazer esse paralelo e pensar que vale a pena se debruçar de uma forma carinhosa sobre esse tema e, aí dimensionando aos nossos candidatos e candidatas, não fica difícil fazer uma boa escolha", disse.

Esperança X Frustração

Para Caco Barcellos, a democratização da polícia no combate à violência ainda pode ser almejada num futuro menos intolerante. “Tenho uma grande esperança sobretudo das novas gerações. As bandeiras identitárias significam gestos de esperança", afirmou.

No entanto, Humberto Carrão, que vive o jornalista em "Rota 66", lamenta a situação crítica atemporal no país. "Divido a frustração e a tristeza de que trabalhos tão contundentes tenham sido feitos nesses anos e, mesmo assim, os números continuem muito altos e até maiores", desabafou. "Tenho certeza que quem vive no Brasil entende que a realidade da série não é uma realidade da ditadura, dos anos 1980 e até dos 1990, ela continua", completou.

"Rota 66 - A Polícia que Mata"

Caco Barcellos pontua que a série se difere de outras produções do gênero por se tratar de um livro que aborda o olhar da vítima. “Outras séries são focadas no olhar de quem dispara o gatilho. O rota foca na vida de quem tem a família destruída por essas ações”, declarou.

"Rota 66 - A Polícia que Mata" é uma adaptação televisiva do livro que retrata a investigação do jornalista Caco Barcellos, vivido por Humberto Carrão, sobre o assassinato de três jovens da periferia de São Paulo. O caso foi marcado por uma ação policial promovida pela equipe 66 das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, conhecida como ROTA. No processo, o repórter descobre novas vítimas da polícia militar e passa a conhecer os bastidores sombrios desses grupos de matadores.

A série chega ao Globoplay nesta quinta-feira (22) com dois episódios iniciais e o restante será liberado semanalmente na plataforma de streaming. Confira o trailer: