Atriz Im Soo-hyang se despede de Lee Ji-han, morto no Halloween de Itaewon

A atriz Im Soo-hyang postou no Instagram, nesta quinta-feira, uma emocionante mensagem de despedida para seu colega Lee Ji-han, uma das mais de 150 vítimas da trágica festividade de Halloween em Itaewon, em Seul, na noite do último sábado. A superlotação num beco estreito do badalado bairro deixou 156 mortos e mais de 80 feridos. A morte de Lee Ji-han, ex-participante da segunda temporada de "Produce 101", foi confirmada pela agência 935 Entertainment.

O último trabalho do artista, o K-drama "Kkokdu’s Gye Jeol" ("A Temporada de Kkokdu", em tradução livre), estrelado por Kim Jung-hyun e Im Soo-hyang, foi suspenso após o anúncio da morte de Lee Ji-han. Ele fazia o papel de Jung Yi-deun, ex-namorado de Han Gye-jeol (Im Soo-hyang).

Confira abaixo a publicação da colega de elenco de Lee Ji-han:

"Ji-han, você tem que ser feliz em um lugar melhor.

Ontem [30 de outubro], eu deveria filmar o dia inteiro com você, mas depois de ouvir a notícia, todos nos reunimos no seu velório. Ninguém podia dizer nada por um longo tempo, e nós apenas ficamos sentados em transe. Eu me senti tão fria, triste e miserável depois que você foi levado tão cedo quando você estava apenas começando, porque eu sabia muito bem o quão duro você trabalhava e como você queria fazer um bom trabalho... E seus pais seguraram minhas mãos e me disseram como você foi para casa e alegremente se gabou para eles que eu elogiei você por fazer um bom trabalho, e acho que chorei por um longo tempo porque me arrependi de não cuidar mais de você e que foi uma pena que eu não disse mais uma coisa legal ou palavras de encorajamento.

Estou tão sentida por deixar meu colega ir primeiro. A equipe e eu trabalharemos ainda mais pela sua parte enquanto pensamos em você para que você possa se orgulhar daquele lugar, e espero que esteja em paz agora.

Para todos aqueles que se tornaram estrelas através desta tragédia de Itaewon, que todos descansem em paz".

O comandante de polícia nacional da Coreia do Sul admitiu nesta terça-feira que os agentes receberam vários alertas sobre o perigo antes da aglomeração fatal do evento de Halloween na noite do último sábado, mas que a resposta foi "insuficiente".

Ao menos 156 pessoas, em sua maioria jovens, morreram e mais de 80 ficaram feridas em um tumulto na primeira festa de Halloween pós-pandemia no popular distrito de Itaewon, em Seul.

A polícia sabia que "uma grande multidão estava reunida inclusive antes do acidente, o que indicava a urgência do perigo, mas o uso desta informação foi insuficiente", reconheceu o comandante da polícia nacional, Yoon Hee-keun.

Quase 100 mil pessoas compareceram à área da festa, que não foi um evento "oficial" com um organizador designado. A polícia e as autoridades locais não controlaram o fluxo de participantes.

— A polícia recebeu vários relatos que indicavam a gravidade do cenário no local pouco antes do acidente — afirmou Yoon.

O ministro do Interior, Lee Sang-min, pediu desculpas nesta terça-feira pela tragédia.

— Gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar minhas desculpas sinceras ao povo, como ministro responsável pela segurança da população, por este acidente — afirmou na Câmara dos Deputados.

Ele foi a primeira autoridade do país a pedir perdão pela tragédia.

A Coreia do Sul é considerada um país eficiente no controle de aglomerações. Os protestos geralmente tem uma grande presença policial, a ponto de superar o número de participantes nas manifestações.

A polícia afirmou na segunda-feira que enviou 137 agentes ao local, enquanto 6,5 mil controlavam um protesto do outro lado da cidade com a presença de 25 mil pessoas, segundo a imprensa local.

O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, afirmou que o país precisa melhorar de maneira urgente o sistema de controle de grandes multidões.

— A segurança das pessoas é importante, com a presença ou não de um organizador do evento — afirmou em uma reunião de gabinete.

Ele pediu o desenvolvimento de um sistema digital "de última geração" para melhorar a gestão de multidões, mas os críticos destacaram que tais ferramentas existem e não foram usadas em Itaewon.

A prefeitura de Seul tem um sistema para monitorar multidões em tempo real que utiliza dados de smartphones para antecipar aglomerações, mas que não foi empregado no sábado, segundo a imprensa.

As autoridades do distrito de Itaewon não organizaram patrulhas de segurança, pois consideraram que o evento de Halloween não era um "festival" que exigiria um plano de gerenciamento de multidões.

Dezenas de milhares de pessoas lotaram um beco íngreme de três metros de largura no máximo. Testemunhas relataram cenas de caos quando as pessoas se empurravam para passar pelo local e que as pessoas ficaram bloqueadas no beco e tentaram sair, com algumas subindo em cima de outras.

Analistas apontam que isto poderia ter sido facilmente evitado com um pequeno número de policiais.

— Um gerenciamento bom e seguro de multidão (...) exige uma estratégia para controlar a capacidade para receber pessoas, o fluxo e a densidade — afirmou Keith Still, professor da Universidade de Suffolk.

O especialista sul-coreano Lee Young-ju disse que, se a polícia sabia que estava sobrecarregada, poderia ter procurado ajuda das autoridades locais ou mesmo de moradores ou lojas da área.

— Não é apenas uma questão de números — declarou Lee, professor do Departamento de Incêndios e Desastres da Universidade de Seul. — A pergunta é: o que fizeram com o número limitado (de policiais) e que tipo de medidas adotaram para compensar isto?