Atriz Valentina Herszage é a mais nova adepta do pole dance: 'É uma celebração dos corpos'

Yasmin Setubal
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Atividade frequentemente associada ao universo das boates, o pole dance demonstra que pode ser muito mais do que uma simples dança sensual em volta de uma barra de metal. A prática, aliás, é uma excelente opção para quem quer fugir da musculação, ajudando também a melhorar o relacionamento das pessoas com o próprio corpo e levantar a autoestima.

A mais nova adepta da modalidade é a atriz Valentina Herszage, que precisou fazer aulas para interpretar sua personagem na próxima novela das 19h, “Quanto mais vida melhor”. Apesar de ter começado a atividade a trabalho, a artista diz que pretende continuar com a prática mesmo depois do término da trama, e percebe que vem se sentindo mais empoderada desde então.

"O pole é uma celebração dos corpos, qualquer um pode fazer. Me trouxe uma certa confiança e um divertimento com a minha presença no mundo, porque eu sempre fui um pouco curvada e isso, de certa forma, é uma reação de você se esconder para o mundo", conta a atriz, de 22 anos. "A atividade tem me deixado cada vez mais aberta e mais segura. Me ajudou a florescer como mulher".

A cientista Ariadne Gonçalves, de 30 anos, pratica pole dance há um ano e meio. No início, ela teve o pré-conceito clássico: achava que a atividade é relacionada apenas às stripers e noitadas. Mas logo começou a ver como uma prática esportiva. A partir daí, a cientista observou que a relação com seu próprio corpo mudou drasticamente.

"Nunca tive uma relação 100% saudável comigo mesma. Não conseguia achar nenhum atrativo especial, desde a adolescência. As minhas amigas sempre falavam que eu me subestimava muito, e nunca tive mesmo essa perspectiva de que fosse linda. Quando eu conheci o pole, com certeza comecei a me amar mais, até as minhas amigas já perceberam e já dizem que estou muito mais empoderada. Hoje eu vejo que meu corpo é capaz de fazer qualquer coisa, e isso me dá uma segurança, uma confiança incrível para fazer qualquer coisa na minha vida. Hoje eu me acho demais", comenta ela, aos risos.

Instrutor de pole dance há quase quatro anos, Rodrigo Almeida, de 34, contou que muitos de seus alunos chegaram reclusos nas aulas, sem conseguirem sequer se olhar no espelho. No entanto, ele afirma que alguns já dão sinais de melhora na autoestima. Além disso, ele lista a perda de peso, o ganho de ritmo, consciência corporal, força e flexibilidade como outros benefícios da prática da atividade.

"Se olhar no espelho e realmente se enxergar para de ser aquele tabu, porque como no pole a gente precisa estar com o corpo, literalmente, exposto, comecei a perceber que eu era muito mais do que aquilo, e isso trouxe a minha autoestima de volta e de muitos dos meus alunos também. Isso é notório", afirma o professor, que já ganhou prêmios em quatro campeonatos de pole dance. "Geralmente, aquelas alunas que se acham mais gordinhas vão para a aula de blusa e bermuda, mesmo sabendo que aquilo vai atrapalhar. Mas quando elas começam a perceber que o mundo do pole te abraça, independentemente da sua forma física, elas começam a se libertar disso, a se aceitar mais".

A psicóloga Cíntia Aleixo explica que a autoestima é uma “expressão de saúde mental”, que funciona como um dispositivo de mudança de “tudo o que a gente sente”. Nesse sentido, o pole dance entraria como uma ferramenta de resgate desse amor próprio.

"O pole dance pode, sim, ser essa ferramenta eficaz na mudança de vida de alguém. Tudo o que a pessoa conquista fazendo pole dance, automaticamente vai ser direcionado para a vida profissional e pessoal dela. Ela pode estar ali dançando, mas ela está levando para a vida. E, além de a dança possibilitar essa saúde mental a mais, ela pode ser bem estratégica para suscitar mudanças na cultura de vivência daquela pessoa, e estou falando sobre vivências periféricas, gordofóbicas, racistas", afirma a profissional.