Atual presidente vira alvo em debate entre candidatos ao comando da OAB-SP

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*ARQUIVO* SAO PAULO -SP - PODER - 08/11//2021 - O advogado Caio Augusto Silva dos Santos, presidente da OAB-SP e candidato a reeleição. Eleições irão acontecer no dia 25/11. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO -SP - PODER - 08/11//2021 - O advogado Caio Augusto Silva dos Santos, presidente da OAB-SP e candidato a reeleição. Eleições irão acontecer no dia 25/11. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

GÉSSICA BRANDINO

MOGI DAS CRUZES, O atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo e candidato à reeleição, Caio Augusto Silva dos Santos, foi escolhido como alvo preferencial durante debate promovido pela Folha de S.ppaulo nesta segunda-feira (22) com os cinco postulantes à presidência da entidade.

A eleição da seccional paulista está marcada para a próxima quinta-feira (25) e envolve cerca de 350 mil advogados, das 253 subseções do estado.

Debate promovido pela Folha com os candidatos à presidência da OAB-SP. Na tela, da esquerda para a direita: Alfredo Scaff Filho, Caio Augusto Silva dos Santos, Dora Cavalcanti, Mário de Oliveira Filho e Patrícia Vanzolini. A mediação foi feita pela repórter Renata Galf Jardiel Carvalho - 22.Nov.2021/Folhapress No palco de um auditório, uma mulher sentada diante de um telão onde aparecem cinco pessoas **** Entre os pontos explorados pelos oponentes do atual presidente da entidade paulista está promessa de não tentar a reeleição, feita por Santos durante sua campanha em 2018. Além disso, a condução da seccional paulista durante a pandemia e uma operação da Polícia Federal realizada em agosto envolvendo integrantes da seccional, suspeitos de vender decisões, também foram tópicos atacados pelas chapas concorrentes.

O advogado, que, antes de ser eleito, havia participado de duas gestões anteriores da seccional, sob a presidência do advogado Marcos da Costa, reagiu defendendo o próprio legado e destacando apoio da classe no estado.

Mediado pela repórter do caderno de Poder Renata Galf, o debate foi dividido em quatro blocos, conforme regulamento previamente aprovado com os candidatos. Foram dois momentos para considerações dos concorrentes, um bloco para questões da mediadora e outro perguntas entre os candidatos. A ordem dos participantes foi definida por sorteio, no início do evento.

Ao ser questionado pela mediadora se seria papel da OAB se envolver em questões sobre os valores da família, tendo em vista declaração feita pelo candidato, que se define como conservador, e como faria isso, para que aqueles que não tivessem a mesma visão fossem respeitados, o candidato Alfredo Scaff desqualificou a questão.

"Em primeiro lugar, eu respeito todas as opiniões em contrário. A questão de ser conservador e respeitar a família é uma questão pessoal minha. Sinceramente, a sua pergunta não tem nada a ver com o que se trata de política de OAB."

"Pergunta para o advogado que está passando fome essa sua pergunta. Pergunta para o advogado que não tem o alvará liberado pela Justiça essa sua pergunta. Pergunta para o advogado que foi demitido do emprego essa sua pergunta", completou Scaff.

"Você me pergunta se eu respeito os outros? Lógico que eu respeito. Eu respeito todos. Eu fui criado com respeito. Essa pergunta é extremamente do submundo do submundo. Sinceramente, não respeito essa sua pergunta porque acho ela de uma desvalorização pessoal absurda. Você tem tanta pergunta para fazer sobre as necessidades da advocacia."

Após o embate, o concorrente Mário de Oliveira Filho disse que a pergunta feita a Scaff não tinha relação com a advocacia. A candidata Dora Cavalcanti expressou solidariedade à repórter da Folha pela reação do candidato.

A mediadora questionou Santos sobre a promessa de não tentar a reeleição. Já a candidata Patricia Vanzolini foi perguntada sobre a atuação do STF diante do governo Bolsonaro, Mário de Oliveira sobre qual deveria ser o papel da OAB perante ao Supremo, no caso do inquérito das fake news, e Dora Cavalcanti quanto ao histórico de posicionamentos da entidade em relação a impeachments presidenciais.

Nos embates diretos, os candidatos enalteceram suas propostas para a advocacia e aproveitaram para alfinetar Santos.

Ao ser questionada pelo candidato sobre a independência das subseções, Vanzolini rebateu e acusou o presidente da seccional de não destinar verbas para aqueles que não o apoiam. "Como não há critérios objetivos de repasses, as histórias que ouvimos foi de que subseções que não estavam alinhadas politicamente ficaram à míngua", afirmou ela.

Cavalcanti, sorteada para questionar Santos, perguntou por que o candidato não cedeu espaço para que uma mulher de sua gestão liderasse a chapa, respeitando a promessa de que não seria candidato novamente.

Já Mário de Oliveira rebateu informação apresentada pelo atual presidente, de que membros da gestão não teriam sido alvo de operação da Polícia Federal, e o acusou de ocultar fatos. Scaff, por sua vez, atacou a mensalidade e falta de apoio dado aos advogados.

As eleições da OAB-SP acontecem na quinta-feira (25), das 9h às 17h. A votação terá urnas eletrônicas e 14 pontos de votação na capital.

Eleições OAB-SP Quando? No dia 25 de novembro, quinta-feira, das 9h às 17h.

Onde? A votação ocorrerá nas 253 subseções do estado e na seccional paulista. Na capital serão 14 pontos de votação.

Como votar? Advogados com anuidade em dia devem comparecer ao local indicado pela Ordem levando registro profissional ou documento com foto (RG, CNH, CTPS ou Passaporte). Quem deixar de votar e não justificar está sujeito a multa de 20% do valor da anuidade.

Saiba quem são os candidatos à OAB-SP

Alfredo Scaff, 51

Formado em direito pela PUCCAMP (Pontifícia Universidade Católica de Campinas). Atua na área de consultoria jurídica e de relações governamentais. É candidato às eleições da OAB pela primeira vez.

Caio Augusto Silva dos Santos, 46

Mestre em direito constitucional e graduação pela Instituição Toledo de Ensino (Bauru). É presidente da OAB-SP desde 2019. Foi secretário-geral da OAB-SP por dois mandatos, de 2013 a 2018, e antes integrou a subseção de Bauru.

Dora Cavalcanti, 50

Formada pela Faculdade de Direito da USP. Advogada criminalista, conselheira do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), uma das fundadoras do Innocence Project Brasil e integrante do Grupo Prerrogativas. É candidata pela primeira vez

Mário de Oliveira Filho, 68

Formado em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É advogado criminalista e atuou na Lava Jato. Fez parte como conselheiro da OAB-SP de seis gestões não consecutivas

Patricia Vanzolini, 49

Possui graduação, mestrado e doutorado em direito pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. É advogada criminalista e professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em 2018, concorreu à vice-presidência da OAB-SP

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