'País não nasceu para ser a m... que é', diz Lula na Bahia

1 / 1

ATUALIZADA - 'País não nasceu para ser a merda que é', diz Lula na Bahia

ATUALIZADA - 'País não nasceu para ser a merda que é', diz Lula na Bahia

CATIA SEABRA

FEIRA DE SANTANA, BA (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descreveu, na manhã deste sábado (19), na Bahia, um cenário nebuloso para o país.

"Este país tem jeito. Não nasceu para ser a merda que ele é. Este país é grande demais", declarou o ex-presidente, que pretende retornar ao cargo na eleição de 2018, em discurso a um grupo de simpatizantes na cidade de Feira de Santana (BA).

O petista participa de uma caravana pelos Estados do Nordeste que deve durar 20 dias, como preparação de sua campanha no ano que vem -isso se não tiver sido impedido pela Justiça de concorrer.

Ao lado do governador do Estado, Rui Costa, e do ex-ministro Jaques Wagner, Lula lamentava a situação financeira dos municípios diante de 60 prefeitos do Estado, além de deputados estaduais e federais.

Após a afirmação, pediu desculpas pelos termos usados. Uma hora depois, para um público formado por militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Lula se comparou a um galo de briga.

Após criticar a imprensa e chamar o empresariado de mal-agradecido, ele disse que seus opositores têm medo de sua eleição porque sabem "o que vai acontecer".

No discurso, ele disse que tinha que poupar a voz para não chegar "cacarejando" nas cidades que compõem a caravana pelo Brasil.

"Tenho que chegar como galo de briga. Falando grosso." Ao falar "daqueles que resolveram infernizar" sua vida, Lula disse que não é como os políticos que colocam o rabo entre as pernas.

"Sou temente a Deus. Não sou temente aos homens."

O ex-presidente é réu em seis ações, a maioria em razão da Operação Lava Jato ou desdobramentos.

Ele já foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 9 anos 6 meses de prisão por corrupção relacionada ao recebimento de um apartamento tríplex em Guarujá (SP) pela empreiteira OAS. O petista deve depor mais uma vez a Moro em 13 de setembro, em Curitiba (PR).

Dirigindo-se à plateia de trabalhadores rurais, ele afirmou que cuidará deles se eleito, porque sabe quem ficou ao seu lado.

Presenteado com acessório de couro, afirmou: "Eu achava que sou corajoso. Agora com esse chapéu e jaleco, pode acreditar que vai acontecer muito mais coisa neste país".

No discurso, Lula disse que, em vez de usar recursos para comprar o voto de parlamentares, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) deveria destinar recursos para os municípios.

"Este país não precisa viver o que está vivendo. Este país precisa de um governo que tenha credibilidade."