ATUALIZADA - Democratas dizem ter votos para bloquear nome de juiz nos EUA

ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Com os votos anunciados por quatro senadores democratas nesta segunda (3), a oposição conseguiu apoio suficiente para bloquear a votação, no plenário do Senado, do juiz Neil Gorsuch, indicado de Donald Trump para a Suprema Corte dos EUA.

O magistrado teve seu nome aprovado, nesta segunda, no Comitê de Justiça do Senado, etapa considerada fácil diante da batalha que o magistrado enfrentará no plenário na próxima sexta (7).

A aprovação no comitê, formado por 11 senadores republicanos e 9 democratas, já era esperada.

Gorsuch foi indicado à vaga deixada por Antonin Scalia, morto em fevereiro de 2016. Hoje, a formação da Suprema Corte conta com quatro juízes de tendência liberal e quatro de tendência conservadora. Se confirmado, Gorsuch penderá a balança para esse último lado.

No plenário, tecnicamente, um nomeado à Suprema Corte precisa de maioria simples (51 de 100 senadores) para ser confirmado --e os republicanos possuem 52 assentos no Senado.

No entanto, é preciso que dois terços (60) dos senadores aprovem encerrar o debate no plenário e iniciar a votação na sexta. Os democratas já reuniram 41 votos contrários a Gorsuch, o que mostra que os republicanos não conseguirão passar dos 59.

A única saída para quebrar a manobra da oposição, chamada de "filibuster", é a controversa "opção nuclear", que muda a regra, exigindo apenas 51 votos para que o nome vá a votação. Os republicanos defendem que seu líder no Senado, Mitch McConnell, adote a opção.

"Se um indicado não consegue os 60 votos, você não tem que mudar as regras [do Senado], você tem que mudar o indicado", disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, no domingo (2), à NBC News.

O que deve complicar ainda mais a vida dos republicanos, de Trump e de Gorsuch é que haverá uma pausa nas sessões no Congresso a partir da próxima segunda (10), com retorno das atividades em Washington só no dia 24.

O governo Trump quer que Gorsuch seja aprovado o quanto antes. O fato de o juiz ainda não estar na Corte foi um dos motivos que fizeram com que Trump desistisse de levar a essa instância a batalha sobre o seu primeiro decreto barrando cidadãos de sete países muçulmanos.

O segundo decreto também foi freado, e o governo esperou duas semanas até recorrer à corte de apelação. A ideia era ganhar tempo até que Gorsuch fosse confirmado, para o caso de o segundo decreto também ser recusado na segunda instância.