ATUALIZADA - EUA estudam retaliação militar à Síria

ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O governo americano considera uma retaliação militar ao regime sírio após o ataque químico que matou pelo menos 72 pessoas, entre elas muitas crianças, na última terça-feira (4).

Segundo o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, o governo de Donald Trump já começou também a coordenar esforços para a retirada o ditador sírio, Bashar Al-Assad, do poder.

Nesta quinta (6), o governo da Turquia confirmou que o sarin, uma arma química, foi usada no ataque em Khan Sheikhun, cidade síria controlada por opositores de Assad.

Segundo os jornais "New York Times" e "Washington Post", o Pentágono estuda "opções" para um ataque militar ao país, numa conversa em que estão diretamente envolvidos o secretário de Defesa, Jim Mattis, e o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Joseph Dunford.

Entre elas, estão um possível ataque com mísseis lançados de navios americanos para destruir instalações com radares do regime sírio ou então uma série de bombardeios aos sistemas de defesa aérea de Assad.

Mattis viajou nesta quinta para a Flórida, onde deverá tratar das opções militares com Trump. Um obstáculo, no entanto, seria a presença das forças russas na Síria, que lutam ao lado do regime de Assad. Tillerson, que viajará a Moscou na próxima semana, disse nesta quinta que o governo russo deve considerar "com cuidado" seu apoio à ditadura síria.

O secretário de Estado, que também está na Flórida, disse aos jornalistas "não haver dúvida" de que o regime sírio é responsável pelo ataque químico, e que é preciso uma "resposta séria" ao massacre.

"Com as ações tomadas por ele [Assad], parece não haver espaço para que ele governe o povo sírio", disse.

A recente escalada no tom do governo Trump contra o ditador é uma mudança significativa em relação à posição que o republicano vinha mantendo desde a campanha, e vem após uma dura reação de outros países ao ataque.

Até o início desta semana, o discurso oficial de Trump e sua equipe era de que a saída de Assad não era uma prioridade para os EUA, mas sim derrotar o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Tillerson afirmou na quinta que o processo para a retirada do ditador "requer um esforço da comunidade internacional". Ao ser questionado se os EUA estariam à frente dessa coordenação, ele respondeu: "esses passos estão sendo dados".

O próprio Trump sugeriu uma possível resposta ao ataque ao conversar com jornalistas no avião rumo à Flórida. "O que aconteceu na Síria é uma desgraça para a humanidade. E ele [Assad] está lá, e eu suponho que eles esteja à frente das coisas, então eu acho que algo deve acontecer", afirmou.

SARIN

Apesar de o governo turco confirmar o uso de armas químicas, o presidente russo, Vladimir Putin, tem criticado os países por culparem o regime sírio. Segundo o Kremlin, ele disse ao premiê israelense ser "inaceitável" acusar Assad antes de uma "investigação internacional objetiva".

O governo russo diz que o envenenamento e as mortes foram causados após um ataque atingir uma instalação onde rebeldes contrários ao regime estariam estocando armas químicas.

Nesta quinta, o governo Assad voltou a negar que tenha usado armamento químico contra a população.

"Posso garantir mais uma vez que o Exército árabe sírio não usou e nunca utilizará este tipo de armas contra nosso próprio povo, contra as nossas crianças, nem mesmo contra os terroristas que mataram nosso povo", disse o chanceler sírio, Walid Muallem.

Segundo o governo turco, três corpos transportados de Idlib passaram por autópsia em Adana (sul do país). "Os exames revelaram que armas químicas foram utilizadas", afirmou o ministro da Justiça, Bekir Bozdag. Inicialmente desenvolvido como pesticida, o sarin é um poderoso paralisante muscular, que mata por asfixia.

Centenas de pessoas ainda manifestaram sintomas como desmaios e vômitos após o ataque, segundo as equipes de atendimento.