ATUALIZADA - Forças de segurança voltam a reprimir protestos contra Maduro na Venezuela

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As forças de segurança da Venezuela voltaram a reprimir protestos convocados nesta quinta-feira (20) por adversários do presidente Nicolás Maduro, um dia depois de confrontos entre policiais e manifestantes deixarem três mortos e 200 feridos no país.

Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes em diferentes pontos de concentração em Caracas. O partido Primeiro Justiça anunciou que por volta das 11h (12h em Brasília) foram detidos seis dirigentes da legenda no bairro El Paraíso.

Em San Joquín, a cerca de 140 quilômetros da Caracas, manifestantes foram dispersados com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Os protestos desta quinta-feira (20) foram convocados pela oposição na sequência dos episódios de violência registrados na quarta (19) em várias cidades da Venezuela.

"Diante da selvageria da repressão, pedimos mais democracia", declarou na quarta (19) o líder opositor Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda. "Não há nenhuma justificativa para que se derrame uma gota de sangue neste país, pois os venezuelanos têm direito a um futuro diferente."

A defensoria pública anunciou a detenção de Iván Alexis Pernía Avila, suspeito de matar Paola Ramírez Gómez, 23. Ela foi baleada na cabeça durante um protesto opositor na quarta-feira (19) na cidade de San Cristóbal, no oeste do país.

A onda de protestos iniciada há cerca de 20 dias, após o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela cassar a Assembleia Nacional, já deixou ao menos nove mortos, incluindo um guarda.

Embora a corte, controlada por aliados do chavismo, tenha revertido sua decisão, a oposição segue organizando protestos para exigir a liberação de presos políticos e a convocação das eleições regionais. O pleito estava programado para dezembro, mas foi prorrogado duas vezes pelas autoridades eleitorais.

REAÇÃO

A União Europeia expressou preocupação com a violência na Venezuela nesta quinta (20). "Pedimos aos venezuelanos que se unam para desescalar a situação e encontrar soluções democráticas, respeitando a Constituição", disse à agência de notícias AFP a porta-voz da chancelaria da UE, Nabila Massrali.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que o governo venezuelano "viola" a Constituição do país ao "impedir que se escute a voz da oposição".

A ONG Anistia Internacional alertou em nota que "a onda de violência e repressão nas manifestações na Venezuela está mergulhando o país em uma crise de difícil retorno que ameaça a vida e a segurança da população".

O governo Maduro, que também tem convocado seus apoiadores para "defender a pátria nas ruas", acusa a oposição de estimular a violência nos protestos. Além disso, as autoridades dizem que os comentários dos Estados Unidos sobre a situação no país representam um "intervencionismo sistemático".

Por sua vez, a oposição culpa Maduro pela violência, acusando o governo de armar milícias e ordenar que as forças de segurança reprimam os protestos.