ATUALIZADA - Lava Jato é igual a ação contra os inconfidentes, diz Pimentel

CAROLINA LINHARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acusado por delatores da Odebrecht de receber R$ 13,5 milhões para defender interesses da empreiteira quando era ministro, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), disse que a liberdade e a justiça foram "solapadas por uma teia de acusações que lembra as alcovas da Conjuração Mineira".

O governador discursou na cerimônia da Inconfidência, em Ouro Preto, cidade de Tiradentes, mártir da revolta.

"Tiradentes foi protagonista involuntário de um espetáculo e não de um processo justo", afirmou em meio a gritos de "Fora, Temer".

"As acusações, quando a serviço de estratagemas, morrem. Os acusadores morrem, mas a injustiça contra as vítimas da acusação infundada é incontornável e irreparável", disse, sem mencionar a Operação Lava Jato.

Pimentel, que foi denunciado na Operação Acrônimo e responde a processo eleitoral, fez críticas ao Judiciário. "O devido processo penal não pode ser atropelado pela ansiedade de condenar, de execrar, de justiçar. O sistema jurídico perfeito não é aquele que se alimenta de estardalhaços, mas silenciosamente não teme encarar fatos e provas, e não apenas as versões."

O pedido de investigação de Pimentel com base nas delações foi enviado para o Superior Tribunal de Justiça. Ele afirma que jamais recebeu valores ilícitos da Odebrecht.

Pimentel foi o orador da cerimônia que homenageou o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela com o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência. O ex-presidente Lula era esperado, mas desistiu de comparecer. Outras 170 personalidades, incluindo dez deputados, receberam medalhas --134 estavam presentes.

Pimentel homenageou seis governadores -quatro deles mencionados nas delações. Apenas Renan Filho (PMDB), de Alagoas, foi ao evento.

Mano Menezes, treinador do Cruzeiro, e a cantora Fernanda Takai também receberam a honraria. Os atores Wagner Moura, Letícia Sabatella, Marieta Severo, Camila Pitanga e Gregório Duvivier não compareceram.

Movimentos de esquerda e sindicalistas não puderam entrar na cerimônia e protestaram contra as reformas do governo federal em outro local.