ATUALIZADA - Oposição contesta derrota no Equador

SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

QUITO, EQUADOR (FOLHAPRESS) - Mesmo sem a confirmação final por parte do Conselho Nacional Eleitoral, o vencedor das eleições no Equador, o governista Lenín Moreno, esteve nesta segunda-feira (3) no palácio de Carondelet, sede do governo, onde assistiu junto ao atual presidente, Rafael Correa, a uma troca da guarda militar.

Depois, sorridente, Moreno puxou um "parabéns a você" em homenagem ao aniversário de Correa, que ocorre na próxima quinta (6). A multidão que os aplaudia da praça, no lado de fora, cantou junto.

"É uma década ganha, não há como negar. Agora com Lenín ganharemos mais outra", disse à Folha a dona-de-casa Ludmila Vázquez.

Segundo os dados mais recentes da contagem, com 99,48% dos votos apurados, Moreno está à frente com 51,2%, contra 48,8% do oposicionista Guillermo Lasso.

Enquanto a festa governista seguia no centro da cidade, Lasso voltou a dizer que não reconhecia a derrota, porque, segundo ele, houve fraude. "Vamos apresentar objeções específicas em todas as províncias", disse. À noite, repetiu o discurso diante do conselho eleitoral.

Em entrevista a jornalistas, Cesar Monge, um dos líderes de seu partido, o Creo, acrescentou que os militantes vinham recolhendo evidências de alterações em atas de mesas em várias cidades.

"Estamos na luta e vamos defender a vontade popular", disse Lasso. O candidato conservador também se comunicou com a OEA para pedir que se manifeste sobre as supostas irregularidades no pleito.

Na frente do prédio do CNE, no centro de Quito, houve vigília na noite de domingo por pessoas que protestavam contra a suposta fraude. Pela manhã, mais manifestantes chegaram. Entre eles, predominavam eleitores de Lasso.

"Estou seguro de que houve manipulação, veja só como o Estado se arma contra seus cidadãos, por que não alteraria nossos votos?", diz o comerciante Aureliano Ruz, 43, apontando para as cercas de metal que foram levantadas diante do CNE durante a noite, para impedir que os manifestantes se aproximassem.

Ao final do domingo (2), elas não estavam no local, e quem fazia uma espécie de muro humano para proteger o prédio eram policiais com escudos e máscaras, como a Folha pôde conferir.

Mas não eram só seguidores de Lasso que estavam na vigília. Também havia gente que apenas carregava bandeiras do Equador ou usava camisetas da seleção nacional.

"Não estou aqui por um candidato ou outro, mas pela democracia. Quero dizer ao meu filho que o país em que ele está crescendo é uma democracia", disse a arquiteta Stefani Castillo, 26, que tinha as cores da bandeira do Equador pintadas no rosto.

Os que estavam alheios à política tiveram dificuldade de se locomover pela cidade. As principais avenidas tinham cortes nas vias que davam acesso à avenida 6 de Diciembre, e o policiamento nas ruas do centro era ostensivo.

ASSANGE

Desde o primeiro turno, Moreno conta com o apoio do criador do WikiLeaks, Julian Assange. O australiano desde 2012 está asilado na embaixada equatoriana em Londres.

Lasso havia dito que, se ganhasse, o ativista, que é processado por abuso sexual, teria de deixar a embaixada.