ATUALIZADA - Suspeito de ataque em metrô russo nasceu no Quirguistão

DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O ataque que deixou ao menos 14 mortos no metrô de São Petersburgo na segunda-feira (3) foi executado por um cidadão russo nascido no Quirguistão, afirmou nesta terça o governo desse país, localizado na Ásia Central.

O suspeito foi identificado pelo serviço secreto quirguiz como Akbarzhon Jalilov, 22, nascido na cidade de Osh, no sul do país, em 1995. Ele vivia em São Petersburgo, no oeste russo, há seis anos.

A imprensa russa relatou durante o dia que ele tinha vínculos com facções radicais islâmicas. Essa informação apontaria para possíveis laços com a organização terrorista Estado Islâmico, mas ninguém reivindicou a ação.

Seu tio, Eminzhon Jalilov, disse à agência de notícias Reuters que o suspeito frequentava a mesquita e que "não era um fanático". Não está confirmado se ele morreu na explosão. As autoridades russas, no entanto, dizem ter encontrado partes do que poderia ser seu corpo.

A Rússia trata o incidente --que coincidiu com uma visita do presidente Vladimir Putin a São Petersburgo-- como um ato terrorista. O Quirguistão é um país de maioria muçulmana e um importante aliado regional de Moscou, que tem uma base aérea ali.

SUSPEITOS

A identificação de Jalilov encerra as horas de boatos que se seguiram à explosão.

Na imprensa russa e nas redes sociais, diversas pessoas foram incriminadas de participação no atentado. Um dos causados, por exemplo, era na verdade vítima. Outro compareceu à polícia para declarar sua inocência.

A explosão no metrô de São Petersburgo, que transporta 2 milhões de pessoas ao dia, ocorreu por volta das 14h40 locais (às 8h40 em Brasília). O governo inicialmente afirmou que havia 11 mortos, mas o número foi elevado nesta terça para 14.

Suspeita-se de separatistas tchetchenos, que já realizaram ataques contra o sistema de transporte russo no passado. Em 2010, duas mulheres-bomba atingiram o metrô de Moscou, com 38 mortos.

Também há suspeitas da participação de militantes da facção terrorista Estado Islâmico, que ameaça a Rússia com frequência devido ao apoio do presidente Vladimir Putin ao regime da Síria.

Um braço do Estado Islâmico reivindicou a queda de um avião com turistas russos no deserto do Sinai, há dois anos, que causou 224 mortes.

A confirmação dessa motivação colocaria pressão no governo russo e em sua decisão de intervir no país árabe.

Mas o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que é "cínico" relacionar as explosões a uma vingança pelo papel russo na Síria. O ataque, disse, mostra por que razão Moscou precisa insistir no combate ao terrorismo.

RESGATE

A explosão ocorreu após o vagão ter deixado a estação de Sennaya Ploshchad. O motorista decidiu continuar o trajeto até a parada seguinte, Tekhnologicheskii Institut, o que favoreceu o resgate.

O impacto retorceu a porta de um dos trens. Sobreviventes deixaram o vagão pelas janelas, em uma cena registrada em vídeo. Ainda há 49 pessoas hospitalizadas.

As vítimas foram feridas por estilhaços de vidro e metal. A força dos explosivos, que poderiam estar escondidos em uma mala, foi amplificada pelo espaço estreito.

Um segundo explosivo foi também encontrado em outra estação, escondido sob um extintor, e desativado.