ATUALIZADA - Taleban mata 140 em invasão a base afegã

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um comando com dez militantes do Taleban atacou uma base militar no Afeganistão na sexta-feira (21) e matou pelo menos 140 militares. O grupo armado afirma que o atentado foi uma represália à morte de um líder em um bombardeio dos EUA.

Os números foram informados por comandantes da base no sábado (22), mas ainda não foram confirmados pelo Ministério da Defesa. Se as cifras estiverem certas, será o ataque com mais mortes desde a invasão americana ao país da Ásia Central, em 2001.

Segundo o governo afegão, o ataque à base de Mazar-e-Sharif começou quando os soldados faziam uma das orações de sexta-feira (21), dia sagrado para os muçulmanos, motivo pelo qual os militares estavam desarmados.

O comando, que tinha soldados infiltrados, aproveitou-se da situação e entrou com uniformes do Exército em jipes e caminhões militares. Os mortos estavam na mesquita e no refeitório da base.

A instalação militar só foi estabilizada à noite. Dos dez militantes, sete foram mortos pelo Exército, dois se explodiram e um foi detido. Além dos soldados mortos, outros 80 ficaram feridos.

Ao reivindicar o atentado à base, o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, disse que 4 dos 10 militantes eram soldados lotados em Mazar-e-Sharif.

Segundo ele, o massacre foi uma retaliação à morte de Mullah Abdul Salam Akhund, líder taleban da província de Kunduz, morto em 15 de abril quando seu esconderijo foi atingido por um ataque aéreo dos EUA. Outros oito talebans morreram no bombardeio.

O presidente afegão, Ashraf Ghani, visitou a base neste sábado. Em comunicado, disse que o ataque foi "covarde e um trabalho de infiéis".

Para o comandante das forças de coalizão comandada pelos americanos, John Nicholson, o ataque mostra a natureza bárbara do Taleban.

Os militares alemães, que dão apoio e treinam os soldados locais da região, disseram que as operações vão ser interrompidas até que as autoridades afegãs terminem as investigações em campo, o que deve levar até dois dias.

Embora tenha perdido muito de sua força devido ao assédio de 15 anos das forças da coalizão ocidental, o Taleban ainda domina algumas partes do Afeganistão, principalmente o norte, próximo à fronteira com o Paquistão.

Nos últimos anos, eles mudaram sua estratégia. Em vez do confronto direto, em que perderiam devido ao menor número de homens, concentram-se em atentados, principalmente contra bases militares. Civis xiitas também são alvos em alguns casos.

A tática também é usada pela filial local da facção terrorista Estado Islâmico. Em 8 de março, 54 soldados foram mortos e 58 ficaram feridos em um ataque armado de mais de seis horas contra o hospital militar de Cabul.