ATUALIZADA - Testemunhas depõem em júri de PMs acusados de jogar suspeito de telhado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo ouviu nesta segunda-feira (27) os depoimentos de 13 testemunhas de defesa e uma de acusação no júri de três policiais militares suspeitos de terem empurrado de um telhado Fernando Henrique da Silva, 23, e, depois, matado, após o roubo de uma moto na região do Butantã, na zona oeste da cidade, em 2015. As informações são da Agência Brasil.

Os PMs Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva e Samuel Paes também foram ouvidos antes da suspensão do julgamento, por volta das 21h30. O júri deve ser retomado a partir das 9h30 desta terça (28) no Fórum da Barra Funda (zona oeste), já com os debates entre acusação e defesa.

A única testemunha chamada pela acusação, o tenente Marco Aurélio Genghini, da Corregedoria da Polícia Militar, sustentou que Fernando foi morto quando já estava rendido e sem oferecer resistência aos policiais.

Outros policiais militares também foram ouvidos, arrolados pela defesa. Um deles disse que chegou a ver Fernando vivo, ofegante, e culpou a demora do socorro pela morte. "Não foram os policiais que mataram Fernando. Ele veio a falecer, de hemorragia, por falta de socorro", disse a testemunha.

Segundo as pessoas arroladas pela defesa, os réus contaram na ocasião que Fernando caiu do telhado e fez entre dois e três disparos em direção a eles, antes de ser baleado e morrer. Elas disseram ainda que os policiais estavam bastante abalados, pedindo pela chegada do resgate, e que um deles segurava a arma que seria da vítima.

O CRIME

O crime aconteceu em 7 de setembro de 2015. Imagens feitas por um cinegrafista amador mostram quando Fernando da Silva foi rendido por um policial no telhado de uma casa e, após levantar as mãos, foi dominado e empurrado pelo policial nos fundos do imóvel. Enquanto o policial desce do telhado é possível ouvir o barulho de ao menos dois tiros.

Na época, o policial Fábio Gambale da Silva relatou no boletim de ocorrência uma versão totalmente diferente do que as imagens mostram. Ele falou que entrou na casa, acompanhado de outro PM, após uma moradora avisar que um homem estava no local.

Gambale falou que eles foram surpreendidos pelo homem que pulou no quintal vindo de uma casa vizinha. Os policiais também disseram ao delegado que atiraram no suspeito porque ele reagiu à prisão.

Em depoimento prestado à Corregedoria da PM no dia 15 de setembro de 2015, o policial flagrado empurrando Fernando e seus colegas de corporação alegaram que o suspeito tentou lutar e, com isso, se desequilibrou. Eles afirmam que Silva tentou agredi-los e que acabou se desequilibrando sozinho "por não ter caminho para descer."

A Corregedoria da PM considerou a versão mentirosa, pelo fato de o vídeo gravado por um vizinho mostrar Fernando sendo empurrado por um dos policiais em direção os fundos da casa, quando já estava algemado. A Corregedoria e a DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) consideraram que os policiais mataram os jovens e tentaram forjar o tiroteio.