Audiência de extradição de Assange para os EUA adiada para 7 de setembro

Pessoas pedem a libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, do lado de fora da prisão de Belmarsh, no sudeste de Londres, em 24 de fevereiro de 2020

A justiça britânica adiou até 7 de setembro a segunda fase do julgamento do pedido de extradição feito pelos Estados Unidos contra o australiano Julian Assange, informou o WikiLeaks nesta quarta-feira.

Preso perto de Londres desde sua detenção na embaixada do Equador em abril de 2019, Assange, de 48 anos, deveria retornar ao tribunal em 18 de maio, após uma primeira semana de audiências em fevereiro.

Mas a juíza Vanessa Baraitser concordou com o pedido de mais tempo da defesa do australiano, segundo o qual, devido à pandemia de coronavírus, ela não tinha "acesso direto" a Assange para preparar o caso.

"Julian não pôde comparecer à última audiência por videoconferência por motivos de saúde, não havia advogados no tribunal pelo confinamento e a maioria dos jornalistas não conseguiu se conectar para acompanhar o processo devido a uma falha no sistema técnico do tribunal", denunciou o editor-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, em um comunicado anunciando a retomada do julgamento em 7 de setembro.

A justiça dos EUA quer julgar Assange por espionagem devido à publicação em 2010 de cerca de 700.000 documentos classificados sobre as atividades militares e diplomáticas dos Estados Unidos, especialmente no Iraque e no Afeganistão.

Por sua vez, os advogados de Assange denunciam um processo político baseado em "mentiras".

Assange foi detido em abril de 2019 depois de passar sete anos na embaixada equatoriana em Londres, onde se refugiou em violação de suas condições de liberdade condicional no Reino Unido por medo de ser extraditado para a Suécia e de lá para os Estados Unidos.