Áudios do STM expõem relatos de tortura na ditadura, diz jornal

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Áudios gravados de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) entre 1975 e 1985 expõem casos de tortura durante ditadura. Foto: Reprodução/ASCOM/Jornal Grande Bahia
Áudios gravados de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) entre 1975 e 1985 expõem casos de tortura durante ditadura. Foto: Reprodução/ASCOM/Jornal Grande Bahia
  • Áudios gravados de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) do período entre 1975 e 1985 divulgados neste domingo (17) expõem casos de tortura durante ditadura;

  • Os áudios inéditos, que somam 10 mil horas de gravações, permitem ouvir sete ministros da época debatendo sobre as torturas;

  • Nas gravações, que ainda não foram completamente divulgadas, as opiniões dos membros do governo sobre as torturas não são unânimes.

Áudios gravados de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) do período entre 1975 e 1985 divulgados neste domingo (17) pela jornalista Miriam Leitão, do jornal 'O Globo', revelam informações sobre torturas durante a ditadura militar.

As gravações, que somam o total de 10 mil horas, e permitem ouvir sete ministros da época debatendo sobre os casos, foram obtidas e analisadas pelo historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os ministros presentes nos áudios são Rodrigo Octávio, Augusto Fragoso, Júlio de Sá Bierrenbach, Waldemar Torres de Costa, Deoclécio Lima de Siqueira, Amarílio Lopes Salgado e Faber Cintra.

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Nas gravações, que ainda não foram completamente divulgadas, as opiniões dos membros do governo sobre os casos de tortura não são unânimes.

Uma parte concorda que as denúncias têm de ser apuradas, enquanto outra parcela questiona a palavra dos acusados.

Em uma gravação de sessão de 1976, o almirante Júlio de Sá Bierrenbach afirma que a tortura é inadmissível, e que, portanto, não se pode “admitir que o homem, depois de preso, tenha a sua integridade física atingida por indivíduos covardes, na maioria das vezes, de pior caráter que o encarcerado".

Já o brigadeiro Faber Cintra diz em áudio de 1978 que não se deve ir contra a dignidade do exercício policial "sem o menor resquício de elemento probatório, confiando pura e simplesmente na palavra dos acusados".

Carlos Fico disse ao portal G1 que analisa os áudios desde 2018, e que atualmente está na metade do processo, ou seja, no período entre 1975 e 1979.

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