Auditoria que não viu rombo nas Americanas esteve em outros escândalos

PwC: Auditora falhou em perceber problemas financeiros na Americanas, na Evergrande e em notar corrupção na JBS (REUTERS/Wolfgang Rattay)
PwC: Auditora falhou em perceber problemas financeiros na Americanas, na Evergrande e em notar corrupção na JBS (REUTERS/Wolfgang Rattay)
  • Auditora falhou em perceber problemas financeiros na Evergrande e em notar corrupção na JBS;

  • PwC é uma das quatro maiores companhias de auditoria do mundo;

  • Sócios minoritários pedem investigação da PwC pela aprovação do balanço de 2021 da Americanas.

A PwC, uma das maiores companhias de auditoria fiscal e contábil do mundo, está sob os holofotes após ter deixado passar um rombo de R$ 20 bilhões nos livros das Americanas em sua auditoria realizada em 2021. Em documento entregue à agência reguladora brasileira, CVM, a Abradin, associação que reúne sócios minoritários de empresas de capital aberto, pede a investigação da auditora.

Conhecida por uma das quatro grandes empresas de auditoria mundial, ou "Big Four", a PwC está envolvida em diversos escândalos recentes, desde outros problemas com gigantes brasileiras, à falhas em sua equipe internacional de auditores.

PwC, JBS e a Lava-Jato

No mercado interno, a PwC é acusada de não perceber o desvio de US$ 149 milhões (R$ 765 milhões) nos caixas da JBS, que teriam sido utilizados como propinas durante as eleições federais do Brasil em 2014. O caso foi um dos investigados durante a Operação Lava-Jato.

Na época, a auditora estava realizando uma consultoria tributária na empresa de alimentos e promovendo uma reestruturação internacional para a JBS, de modo que a companhia brasileira pudesse economizar US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão) em impostos nos EUA e até US$ 70 milhões (R$ 360 milhões) na Austrália.

A PwC alega não ter tido conhecimento dos pagamentos corruptos, que vieram à tona durante um acordo judicial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 2020. Apesar de não haver indícios de que a PwC ou a filial da JBS na Austrália estejam envolvidos na ilegalidade, o caso trouxe dúvidas quanto às capacidades e os procedimentos da PwC.

PwC e falências internacionais

No mercado externo, por sua vez, dois grandes escândalos que abalaram a reputação da PwC foram os problemas da Wirecard e da Evergrande.

Fintech alemã, a Wirecard era uma das empresas melhores cotadas na Alemanha. Seu modelo de negócios consistia em promover pagamentos onlines com a coleta de um pequeno prêmio sobre os riscos. No entanto, a empresa acabou por se envolver em diversos crimes corporativos.

A PwC era a principal auditora do grupo e, após um derretimento do valor acionário na casa dos 16 a 20 bilhões de euros (R$ 96 a 120 bilhões) da Wirecard, a empresa anunciou uma revisão "agressiva" de seus sistemas de detecção de fraudes.

Já no caso da Evergrande, a PwC ainda está sob investigação pelas autoridades financeiras governamentais de Hong Kong, o Conselho de Relatórios Financeiros. O órgão de fiscalização está analisando um esquema de empréstimo de US$ 2 bilhões, ou R$ 11 bilhões, que ocorreu em 2020 e teria levado à demissão do diretor-presidente e diretor financeiro em meados de 2022.

A Evergrande é atualmente a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, após falhar em entregar planos de reestruturação de seus US$ 300 bilhões em dívidas. A empresa tem planos de apresentar um novo programa no início deste ano.

Ao validar as contas de 2020 da Evergrande sem levantar questões, a PwC indicou que a desenvolvedora tinha recursos para continuar operando por pelo menos mais 12 meses. No entanto, em setembro de 2021 a incorporadora corria riscos de não pagar suas dívidas em meio à crise imobiliária chinesa. A PwC atua como auditora da Evergrande desde 2009 e a crise do grupo imobiliária levantou ainda mais dúvidas quanto às capacidades da empresa.