Augusto Heleno diz que pedir divulgação da íntegra de reunião ministerial é 'ato impatriótico'

Daniel Gullino

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, afirmou nesta quarta-feira que defender a divulgação na íntegra de uma reunião ministerial é "um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional". A declaração ocorreu horas após a defesa do ex-ministro Sergio Moro defender a retirada de sigilo do vídeo da reunião do dia 22 de abril, no âmbito do inquérito que investiga uma suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

O vídeo foi exibido para investigadores e para Moro na manhã de terça-feira. De acordo com o relato de pessoas que assistiram à gravação, Bolsonaro defendeu na reunião uma troca no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro para evitar que familiares e amigos seus fossem "prejudicados" por investigações em curso.

"Pleitear que seja divulgado, inteiramente, o vídeo de uma Reunião Ministerial, com assuntos confidenciais e até secretos, para atender a interesses políticos, é um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional", escreveu Heleno no Twitter.

Na terça-feira, o ministro Celso de Mello, relator do inquérito no STF deu 48 horas para Moro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestaram sobre a possível retirada, total ou parcial, do sigilo da gravação. Na manhã desta quarta, os advogados de Moro pediram formalmente a divulgação.

Bolsonaro afirmou que não vê problemas na divulgação do vídeo, exceto de trechos que tratam de política externa. De acordo com a colunista Bela Megale, houve críticas à China feitas por parte dos presentes.

— Esse vídeo pode ser todo mostrado a vocês, exceto quando se trata das questões de política externa e segurança nacional — disse o presidente na terça-feira.