Augusto Nunes tem R$ 30 mil penhorados pela Justiça por chamar Gleisi Hoffmann de 'amante'

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(Fotos: REUTERS/Paulo Whitaker e Reprodução)
(Fotos: REUTERS/Paulo Whitaker e Reprodução)
  • Apresentador foi julgado a revelia, pois nunca se defendeu

  • Declaração de jornalista foi feita 72 vezes em portais de grande circulação

  • Agora, defesa de Gleisi irá pedir cumprimento de publicação da sentença nos mesmos sites

Após “permanecer inerte” frente a sentença de pagamento de indenização de R$ 30 mil à presidente do PT Gleisi Hoffmann, a Justiça penhorou o valor da conta bancária do apresentador Augusto Nunes, da Jovem Pan.

O jornalista foi condenado em maio por danos morais contra a petista por chamá-la diversas vezes de “amante” em textos publicados nos portais da revista Veja e no R7, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Augusto Nunes foi condenado à revelia, pois nunca se defendeu no processo.

A sentença foi emitida por unanimidade dos desembargadores da 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) em maio. O colegiado também determinou que o acórdão condenatório seja publicado "pelo período mínimo de 30 dias" em todos os veículos em que "as ofensas foram divulgadas".

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Agora, a defesa de Hofmann irá pedir a execução desta parte da sentença, que ainda não foi cumprida.

O desembargador Alvaro Ciarlini afirmou em seu relatório que "o sentido infamante e desrespeitoso adotado pelo réu [Augusto Nunes] se encontra carregado de conteúdo misógino e sexista, puramente com o intuito de agredir a demandante".E conclui que o apresentador "abusou do seu direito à liberdade de expressão (liberdade de imprensa)".

Ele ainda afirmou que Nunes fazia questão de mencionar que a petista era "conhecida pelo codinome amante no departamento de propinas da Odebrecht", de acordo com a investigação da Operação Lava Jato.

A expressão foi usada pelo apresentador 72 vezes, em textos que nada tinham a ver com as investigações sobre a construtura.

"O aludido termo foi atribuído à apelante dezenas de vezes no período compreendido entre dezembro de 2018 a julho de 2019. Nesse contexto, evidencia-se que a palavra 'amante' deixou de ser utilizada com o intuito de informar o leitor a respeito da operação policial que envolveu a sociedade empresária Odebrecht", disse o desembargador.

Nunes também, escreve o desembargador, "fez questão de destacar o termo 'amante', sempre acrescido de adjetivos relacionados à nota. Assim, na seção de política do sítio eletrônico 'Veja.com', há destaque para expressões como “#SanatórioGeral: Amante volúvel', '#SanatórioGeral: Amante gananciosa' e '#SanatórioGeral: Amante exigente', sempre grafadas em negrito e letras grandes".

Para o magistrado, é "grave a conduta do réu", pois as citações eram sempre feitas em portais de grande alcance.

Gleisi foi representada na ação pelas advogadas Ana Letícia de Carvalho Santos e Carolina Freire, do escritório Aragão e Ferraro Advogados.​

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