Aumenta a pressão no Iêmen para que rebeldes abandonem Hodeida

Por Fawaz AL-HAIDARI
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Buques no porto de Hodeida, no oeste de Iêmen, em 7 de novembro de 2017

As forças da coalizão que combate os rebeldes huthis no Iêmen enviam reforços a Hodeida (oeste) para obrigá-los a abandonar o porto, um alvo estratégico em uma guerra que dura três anos.

Segundo a ONU, o mediador para o Iêmen, o britânico Martin Griffiths, mantém "intensas negociações" com os huthis, rebeldes apoiados pelo Irã, mas também a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam as forças leais iemenitas, para "evitar uma batalha feroz e violenta em Hodeida".

A ONU retirou sua equipe internacional de Hodeida na segunda-feira pela manhã e na terça-feira a representante da Unicef no Iêmen, Meritxell Relano, indicou no Twitter que a agência colocou à disposição da cidade mais de 20.000 kits de higiene.

"Esperamos que não sejam usados" os outros 40.000 kits que estão sendo preparados, acrescentou.

A cidade de Hodeida tem 600.000 habitantes e seu grande porto, sobre o mar Vermelho, é o ponto de entrada de boa parte das importações do Iêmen e da ajuda humanitária.

A coalizão liderada por Riad, que não registrou nenhuma vitória militar mais significativa desde que tomaram cinco províncias do sul e Aden em 2015, está determinada a quebrar a situação em Hodeida, estimam os especialistas.

A imprensa dos Emirados Árabes afirma que a contagem regressiva começou para uma ofensiva em Hodeida e que um ataque é iminente.

As forças governamentais, apoiadas pelos Emirados, continuam recebendo importantes reforços na região de Hodeida, informaram nesta terça-feira fontes militares iemenitas.

Aproveitando uma pausa nos combates desde a segunda-feira, os três componentes das forças da coalizão enviaram tropas e equipamentos para o principal front, situado a cerca de 40 km ao sul de Hodeida, indicaram as fontes.

Riad dá apoio aéreo. Abu Dhabi, terrestre. Mas as tropas que apoiam são formadas por combatentes locais, militares fiéis ao presidente Abd Rabo Mansur Hadi e partidários do ex-presidente Ali Abdalah Saleh, que morreu durante uma ofensiva huthi em dezembro.

- Hodeida sob administração neutra -

Sinal de inquietude internacional, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu a portas fechadas na segunda-feira para conversar com Griffiths, que falou da Jordânia. Segundo diplomatas, o mediador voltou a evocar a ideia de que o porto de Hodeida seja colocado sob uma administra~]ap neutra.

Os Estados Unidos, aliado de Riad e de Abu Dabi, lembrou que a ajuda internacional para o Iêmen deve continuar passando pelo porto de Hodeida.

Washington "acompanha bem de perto a situação", indicou o secretário de Estado Mike Pompeo, pedindo à coalizão árabe para apoiar os esforços da ONU. Já os rebeldes estimam que toda ofensiva em Hodeida significa que Washington deu seu aval.

"Uma batalha por Hodeida certamente será longa e deixará a milhões de iemenitas sem alimentos, combustível e produtos básicos", advertiu o International Crisis Group (ICG).