Aumenta procura por testes de Influenza e Covid na rede pública e privada

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Moradores e turistas estão correndo aos postos de saúde e clínicas particulares para fazer testes de Covid-19. Seja o rápido ou o PCR — que demora até 72 horas para ficar pronto. Dos 38 testes rápidos feitos no Centro Municipal de Saúde João Barros Barretto, em Copacabana, 14 deram positivos na manhã desta segunda-feira. Enquanto isso, no local, dezenas de pessoas aguardavam para passar por uma triagem e, só então, seguir para a testagem . Filas enormes também foram registradas em clínicas particulares do bairro.

É o caso da Clínica Labi Exames, em Copacabana, onde pessoas esperavam até uma hora para serem atendidas na fila. Foi o caso da designer Marcela Perroni, de 47 anos. A mulher fez o teste rápido e o de Influenza. Ao final, ela foi diagnosticada com a SARS-CoV-2.

— Eu passei o réveillon com o meu marido e minha filha. Na sexta, ele começou a ter sintomas. No dia seguinte, eu comecei. Hoje fomos diagnosticados com a Covid. Cheguei muito cedo e não imaginava que estava tão lotado. Estou com gripe, coriza, cansaço e muita dor no corpo. O resultado da doença saiu em uma hora — destacou.

Na mesma fila, estava uma advogada de 24 anos que também havia feito um teste. Ela conta que procurou o local por “desencargo de consciência”. Pouco depois das 10h40, a mulher já havia feito a testagem.

— Eu viajei para o Nordeste no final do ano e por precaução estou aqui, porque se for o caso, vou me isolar. Acredito que será a tendência aumentar a procura, já que muita gente foi para festa e teme estar com a doença — disse a jovem, que pagou R$ 88 pelo exame PCR que fica pronto em até 72 horas.

Já a servidora pública Jessica Augusto da Silva Gomes, 29, foi à clínica para saber se estava com a doença. É que ela quer tomar a dose contra a Influenza.

— Eu vim fazer porque vou tomar a vacina da gripe. Passei as festas com a família e não sei se posso estar com a doença. Eu não esperava ter essa quantidade de gente. Acho que, depois das festas, por conta dos casos, vai aumentar a procura — destacou.

Na Bronstein Medicina Diagnostica, em Copacabana, a bailarina Ruth Pinheiro, 39, levou a filha Nuria Pinheiro, de 15, para fazer a testagem. É que a adolescente vai viajar para fora do país e precisa do documento.

— Ela precisa do PCR para viajar. Além de estar cheio, o preço aumentou muito. No dia 30, estava custando R$ 140 e agora, R$ 210. É assustador o preço e a quantidade de gente na fila — destacou Ruth.

Enquanto isso, em algumas clínicas e farmácias é preciso agendar para fazer o teste rápido. É o caso da Consulta Carioca, em Copacabana. O paciente precisa ligar com um dia de antecedência para fazer o teste PCR, que custa R$ 272 e fica pronto em até 72 horas. Já o teste rápido pode ser feito sem agendamento. O exame custa R$ 89. Na manhã de hoje, a unidade da Zona Sul estava cheia.

Algumas drogarias Pacheco e Venâncio de Copacabana estão sem testes rápidos. Em outras, o agendamento está demorando até uma semana. Nesses locais os valores das testagens varia em torno de R$ 110.

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) disse que, em novembro, foram realizados 29.816 testes rápidos de Covid em unidades associadas no estado do Rio. Desse total, 1.313 deram positivos, o equivalente a 4,4%. De 1º a 19 de dezembro, foram 27.774 com 2.349 resultados positivos, o equivalente a 8,46% do total.

O laboratório Richet informou que, nos últimos dois meses, foram confirmados 15 casos de coinfecção Covid + Influenza no total de exames Multiplex (que detecta Influenza A e B, Covid e Vírus Sincicial). Disse ainda que, em dezembro, houve aumento de mais de 10% nos testes positivos de Covid em relação ao mês anterior.

O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, membro da Sociedade Brasileira de Patologia e diretor-médico do Richet falou da importância da testagem, já que as duas doenças têm sintomas semelhantes, mas estratégias de isolamento diferentes:

— Neste período em que temos um surto de Influenza e ainda a persistência dos casos de Covid, agravados pelo surgimento da variante Ômicron, a testagem dupla é importante, pois ambas as doenças podem apresentar sintomatologia semelhantes e as estratégias terapêuticas e de isolamento são diferentes.

As redes do Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo) registraram um aumento de 25% na procura por testes de Covid-19 no estado do Rio, durante o mês de dezembro. Do total de testes realizados, 11% foram positivos.

Os testes oferecidos pelo grupo detectam Covid-19, Influenza A e Influenza B. O exame fica pronto em 15 minutos e custa R$ 89,90, mas deve ser feito o agendamento pelo site. O grupo também confirmou que, por conta do crescimento na procura, foi identificado um desabastecimento pontual no estoque de testes de dupla identificação (Covid+ Influenza) em algumas lojas. Mas garantiu que o reforço no estoque já foi providenciado e será enviado em carácter de urgência. Já os estoques referentes aos testes para diagnóstico de Covid-19, permanecem normais.

Segundo a direção da Centro Municipal de Saúde João Barros Barretto, houve “aumento considerável nas últimas semanas” do número de pessoas procurando a unidade em busca de testes. Por dia, mais de 100 pessoas estão sendo testadas. Mais da metade são diagnosticadas.

Nesta segunda, entre 8h e 12h, 38 pessoas já haviam sido testadas no local. Quatorze deles estavam com a doença. Além disso, testes de PCR estão sendo colhidos e enviados para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A assessora Thais Sales Gonçalves, 35, procurou a unidade em busca de atendimento e testagem. Sem condições de andar, ela estava sentada à espera de teste.

— Estou com febre, dor de cabeça, sem olfato, paladar e com coriza. Está assim desde o dia 30. Num primeiro momento, pensei que fosse gripe. Ontem que notei que estou sem paladar. Cheguei aqui cedo, mas está lotado. É aguardar — destacou.

Na mesma situação, estava a assistente de produção Bárbara Lima, 47.

— Estou com tosse, cansaço, febre desde sábado. Eu tive contato com pessoas que testaram positivo e por isso estou aqui. Eu cheguei aqui por volta de 9h30. Já são 12h30 e estou aqui esperando testagem.

A técnica de enfermagem Mayana Lima Amaral, 23, estava com todos os sintomas de Covid. Após um teste rápido, ela soube que não estava com a Covid.

As secretarias municipal e estadual de Saúde disseram que, até o momento, não houve identificação de casos de dupla infecção. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio disse ainda que identificou, na última semana, redução de 75% dos casos de Influenza.

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