Aumenta violência sexual contra crianças em zonas de conflito, diz ONU

A violência contra crianças em países em conflito, como o recrutamento de crianças-soldados, assassinatos, mutilações, estupros e sequestros, manteve-se em patamar elevado em 2021, com aumento acentuado da violência sexual, segundo relatório da ONU que, de acordo com algumas ONGs, subestima os crimes atribuídos a Israel.

Em 2021, “sequestros e estupros e outras formas de violência sexual (contra crianças) aumentaram tragicamente em 20%”, disse o comunicado de imprensa que acompanha a publicação do relatório anual do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Esse documento analisa vários países em conflito e identifica em um anexo, intitulado "Lista da Vergonha", os responsáveis ​​pelas violações — autoridades estatais e não estatais, bem como grupos armados.

A Ucrânia, assim com Etiópia e Moçambique, tornou-se um país de crescente preocupação devido aos atuais confrontos armados.

No ano passado, a ONU identificou 23.982 violações graves dos direitos dos menores, incluindo 22.645 cometidas em 2021 e 1.337 anteriormente, mas só confirmadas no ano passado, especificou o documento.

Embora tenham sido feitos progressos, como a libertação de crianças presas ou recrutadas em alguns países como Mali, Nigéria e Filipinas, houve graves violações no Afeganistão, na República Democrática do Congo, em Israel e nos Territórios Palestinos, na Somália, na Síria e no Iêmen.

Jo Becker, da Human Rights Watch, lamentou a ausência do que chamou de "informações significativas sobre as violações" no relatório.

— Não só o secretário-geral não incluiu os perpetradores dos conflitos armados na Ucrânia, Etiópia e Moçambique em sua "Lista da Vergonha", mas seu relatório não fornece informações significativas sobre as violações flagrantes às quais as crianças foram submetidas nesses conflitos — afirmou.

Em seu pronunciamento, a diretora da Divisão de Direitos da Crianças lamentou também a ausência das forças de Israel da chamada "Lista da Vergonha".

— A omissão das forças de Israel da "Lista da Vergonha", acusadas de assassinar 78 crianças palestinas em 2021 e mutilar 982, é mais uma oportunidade perdida de responsabilizá-las, pois outras forças ou grupos armados foram listados por violações muito menores — acrescentou.

Em um comunicado à imprensa, a ONG Watchlist on Children and Armed Conflict também deplorou o desejo de subestimar a responsabilidade de Israel no tratamento dos menores palestinos. A ONG também lamentou um "desrespeito flagrante" pela vida infantil na Etiópia, Moçambique e Ucrânia, bem como em outros países devastados por guerras.

Em entrevista coletiva, Virginia Gamba, representante especial do secretário-geral da ONU para crianças em conflitos armados, rejeitou as críticas ligadas a Israel e disse que o país foi avisado de que seria colocado na "Lista da Vergonha" em 2022 caso não haja melhora no desempenho de suas forças.

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