Aumento de assassinatos em 2020 traz problemas para Lula e Bolsonaro em 2022

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O novo aumento das mortes violentas no Brasil em 2020, registrado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, traz problemas para o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as intenções de voto para 2022, segundo as últimas pesquisas. E nada concentra melhor os problemas para ambos do que o Ceará, onde houve um salto de 75,1% das mortes violentas no ano passado.

O Ceará é governado por Camilo Santana, petista que é aliado dos irmãos Gomes — o senador Cid e o sempre candidato a presidente Ciro. O maior número de homicídios no ano passado está ligado a uma greve de policiais que mergulhou o estado no caos. Foi nesta paralisação que Cid foi baleado ao tentar avançar com um trator para forçar a entrada de um quartel onde estavam policiais amotinados.

O motim terminou sem uma condenação clara do presidente Jair Bolsonaro e do então ministro da Justiça Sergio Moro. Seu fim foi decidido em uma assembleia em que o diretor da Força Nacional (e comandante da PM do Ceará), Antonio Aginaldo de Oliveira, chamou os amotinados de "gigantes e corajosos".

Não foi a primeira vez que o Ceará ficou sem segurança na gestão do petista Camilo. No primeiro mês de seu novo mandato, houve uma série de ataques ordenados por facções criminosas que fizeram o governo federal enviar a Força Nacional para o estado.

É a expansão destas facções que fez o número de assassinatos crescer no Norte e Nordeste em 2020, segundo avaliação do Fórum de Segurança Pública. A disparidade de salários entre os postos mais baixos e as maiores patentes das polícias militares, apontada pelo anuário, só afrouxa qualquer tentativa de conter o crime organizado, como mostra o motim do Ceará. O apoio, velado ou não, do presidente às patentes mais baixas não ajuda a resolver o problema, e muitas vezes é visto como incentivo à indisciplina.

Em 2022, portanto, a segurança pública continuará a ser tema de campanha, mas Bolsonaro não poderá mais repetir a promessa de 2018, de maior rigor quando chegar ao poder: ele agora é o poder. Sempre se pode argumentar que segurança pública é assunto principalmente dos estados. Mas se o presidente não fez essa ressalva há três anos, não poderá fazer no ano que vem.

Violência como tema de palanque impõe a Lula a necessidade de uma proposta clara sobre como combatê-la, que atinja também um público que tem um desejo simples: manter criminosos dentro da cadeia e impedir que, de dentro delas, eles mandem em quem está de fora. O STF anulou as condenações que levaram Lula à cadeia e decidiu que Moro, quando juiz da operação, foi parcial contra o petista. Mas os eleitores não são obrigados a concordar com a decisão. Vai ser difícil para o petista elaborar um discurso defendendo maior rigor em prisões sem quem o ouvir faça uma associação de ideias desvantajosa para o ex-presidente.

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