Aumento do desmatamento é marca incontestável do governo Bolsonaro

Por mais que o presidente Jair Bolsonaro queira minimizar os efeitos devastadores de sua política antiambiental, os números não lhe dão trégua. O Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD) do MapBiomas, divulgado ontem, mostra que, em 2021, o país manteve o padrão nefasto de destruição de florestas, com perda de 16.557 quilômetros quadrados em todos os biomas. O total representa aumento de 20% em relação a 2020. Do início do atual governo, em 2019, até 2021, a área desmatada chegou a 42 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho do estado do Rio. O estudo levou em conta todos os sistemas de alerta de desmatamento (do Inpe, da SOS Mata Atlântica e do Imazon).

De acordo com o relatório, a Amazônia (59%) e o Cerrado (30,2%) responderam pela maior parte do desmatamento no ano passado. Na Amazônia, foram destruídos 111,6 hectares por hora, ou 1,9 hectare por minuto. Equivale a dizer que 18 árvores foram derrubadas a cada segundo. O Pará, mais uma vez, aparece no topo do ranking das motosserras, com participação de 24,3% no total. Em seguida vêm Amazonas (11,75%), Mato Grosso (11,4%), Maranhão (10,1%) e Bahia (9,2%).

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O levantamento do MapBiomas afirma que a pressão exercida pela agropecuária foi responsável por quase todo o desmatamento (97%) nos últimos três anos. São citados também como relevantes o garimpo, a mineração e a expansão urbana.

De acordo com o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, a situação está “literalmente fora de controle”. Não fosse a crise econômica, diz ele, o cenário seria ainda pior. A degradação começou com a promulgação do novo Código Florestal, em 2012, que afrouxou regras e concedeu anistia a multas aplicadas até 2008. Foi crítica, para Azevedo, a ação deliberada do atual governo para evitar punir infratores, “partindo do chefe do Executivo”.

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O relatório do MapBiomas não é o único a atestar a agonia do meio ambiente sob Bolsonaro. O sistema de alertas do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) revela que a destruição provocada por queimadas na Amazônia está 30% acima da média histórica, superando as piores projeções, como mostrou reportagem do GLOBO. Neste ano, até a semana passada já haviam sido queimados 622 mil hectares, mais que os 490 mil registrados no mesmo período do ano passado.

A leniência com atividades clandestinas de madeireiros, garimpeiros e grileiros, paralelamente a uma política ambiental tóxica e ao desmonte dos órgãos de fiscalização, criou um ambiente propício a todo tipo de ilegalidade. Não é impossível reverter essa situação pavorosa — até porque o Brasil já fez isso no passado. Mas, em vez de agir, Bolsonaro prefere atacar ou desqualificar os números e as organizações que os divulgam. Costuma dizer que o Brasil é o país que mais preserva as florestas. Goste deles ou não, os números estão aí. São um legado incontestável do governo Bolsonaro.

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