Ausência de debates favorece Russomanno, afirma analista

Haddad e Russomanno durante debate na TV Gazeta. (Foto: Filipe Araujo/AE)As duas principais emissoras do país, as redes Globo e Record, cancelaram seus debate televisivos entre os candidatos a prefeito de São Paulo a poucos dias do pleito. Com a discussão pública entre os concorrentes limitada,os paulistanos irão às urnas no próximo dia 7 escolher o sucessor do prefeito Gilberto Kassab (PSD). A ausência do debate eleitoral pode influenciar no resultado final do primeiro turno?

Os analistas políticos ouvidos pelo Yahoo! Brasil apontam para a dificuldade em prever o impacto que a ausência dos debates terá sobre o voto do paulistano. Concordam, porém, que a falta do encontro favorece o líder em declínio nas pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB).

“A ausência do debate provavelmente não fará o  cenário atual mudar, apenas a sua presença talvez pudesse provocar uma mudança”, afirma o cientista político Walter Mesquita Hupsel, autor do blog Política On The Rocks, no Yahoo!. “Ou seja, a falta de debate favorece a manutenção do status quo, isto é, favorece o Russomanno e o Serra. A diferença entre o Serra e o Haddad nas pesquisas de intenção de voto é tão pequena que a tendência é o Serra manter essa vantagem sem o debate.”

Raphael Neves, professor de ciência política da Universidade de São Paulo, recorda que dificilmente um debate influencia de maneira determinante o resultado final de uma eleição. “É claro que é ruim não ter debate. Agora, debate pode comprometer uma eleição, como foi o de Nixon com JFK [nos EUA], mas, em geral, se tudo ocorrer dentro da normalidade, não é decisivo”, afirma.

A qualidade do debate, por sinal, foi a justificativa utilizada pela Rede Globo para cancelá-lo. A emissora queria apenas os seis primeiros colocados nas pesquisas no encontro – Russomanno, Serra, Haddad, Gabriel Chalita (PMDB), Soninha (PPS) e Paulinho da Força (PDT) -, porém os concorrentes Levy Fidelix (PRTB) e Carlos Gianazzi (PSOL) conseguiram na Justiça Eleitoral o direito de participar, levando a Globo a cancelar o evento.

“A Globo, assim como a Record anteriormente, agiu politicamente ao cancelar o debate”, afirma Hupsel. “Todo veículo de comunicação tem uma posição política e é a favor de algum candidato, mesmo que veladamente. Não fazer o debate também é um posicionamento político. É óbivo que teria como fazer um debate com mais de seis candidatos, como no caso da Globo, ou sem um ou dois candidatos, como no caso da Record.”

A emissora vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus cancelou o seu encontro após Serra e Russomanno desisitirem. O tucano acusou a Record de agir em favor do candidato do PRB na cobertura das eleições - Russomanno apresentava até o início da campanha eleitoral um programa na emissora. “Um debate grande ou pequeno é melhor que nenhum. Deviam ter feito igual aos debates presidenciais de 1989, quando deixavam a cadeira vazia do candidato que não quis ir. Isso constrange e representa um ônus político que o candidato deve arcar”, conclui Hupsel.

 

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