Ausência de Lula e bronca de Marina Silva em Bolsonaro marcam o debate

Debate entre candidatos à Presidência da República das eleições 2018 promovido pela Rede TV. Foto: Guilherme Rodrigues/Futura Press

Por Natália André e Rafa Santos 

Mesmo sem estar presente, o ex-presidente Lula foi tema recorrente no debate entre presidenciáveis promovido pela RedeTV/IstoÉ. Antes mesmo do início do evento, o púlpito vazio que seria destinado ao candidato do PT provocou muita polêmica. Ao chegar ao debate, Jair Bolsonaro (PSL) fez questão de atacar Lula. “Aqui não tem púlpito para bandido não”, esbravejou.

(Vídeo: Juliana Arreguy/Yahoo Notícias)

O púlpito foi retirado a pedido de todos os candidatos —com exceção de Guilherme Boulos (PSOL)— e foi tema de pergunta de Alvaro Dias (Podemos) a Marina Silva (Rede). Ambos criticaram a candidatura do petista que segue líder das intenções de voto e exaltaram a operação Lava Jato.

Henrique Meireles (MDB) também citou o ex-presidente várias vezes ao exaltar o seu legado como presidente do Banco Central na administração petista. Lula ainda foi citado por Bolsonaro e a decisão de retirar o púlpito acabou tendo de ser explicada por Boris Casoy.

 

Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) travaram duelo de alto nível sobre suas propostas para a economia. Alvaro Dias (Podemos) seguiu seu discurso de combate a corrupção e Guilherme Boulos travou bom debate de ideias com Henrique Meirelles. Cabo Daciolo teve menos espaço do que no debate da Band, mas protagonizou um dos momentos mais cômicos do evento ao ser perguntado por Jair Bolsonaro (PSL) e concordar plenamente com o candidato sobre temos polêmicos como aborto, legalização das drogas e ideologia de gênero. Quase um antidebate.

Jair Bolsonaro — em contraste ao debate da Band — não esteve tão seguro e acabou escorregando em questões sobre economia. Ainda protagonizou um dos momentos mais tensos do debate ao levar uma verdadeira bronca de Marina Silva (Rede). O candidato do PSL foi questionado sobre suas opiniões sobre os direitos das mulheres e respondeu com um ataque. Ele lembrou que Marina era uma ‘evangélica que defende o plebiscito para a legalização do aborto e da maconha’.  Na tréplica, Marina Silva deu uma verdadeira bronca em Bolsonaro.

“Você acha que pode resolver tudo no grito e na violência. Nós somos mães. Nós educamos nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver o filho ser educado para ser um cidadão de bem. E você fica ensinando para o nosso jovem que tem que resolver as coisas no grito. Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar. Você sabe o que a bíblia diz sobre ensinar uma criança? ‘Ensina a criança no caminho que deve andar e até quando for grande ela não desviará do caminho’.  Esse é o ensinamento que você quer dar ao povo brasileiro? Eu sou evangélica, mas o estado é laico”, argumentou Marina arrancando aplausos da plateia.

O Yahoo Notícias fez uma breve análise sobre o desempenho de cada candidato. Veja:

Ciro Gomes (PDT) – Seguro e bastante técnico, ele priorizou a economia e travou debate respeitoso e de bom nível com Geraldo Alckmin. Mostrou-se bastante tranquilo e nem de longe fez jus a fama de esquentado.

Geraldo Alckmin (PSDB) – Mostrou a tranquilidade habitual e foi eficaz em apresentar suas propostas de governo. Sempre dando o tom de que pretende fazer uma administração marcada por reformas como a política e a tributária. Também ressaltou os projetos de combate ao desemprego e travou bom duelo de ideias com Ciro Gomes.

Guilherme Boulos (PSOL) – Se mostrou mais  tranquilo do que no primeiro debate. Controlou e aproveitou bem o tempo em suas participações. Fez questão de se colocar como antagonista de Bolsonaro e Henrique Meirelles e se se apresentar como um elemento novo em meio aos rostos conhecidos da velha política.

Alvaro Dias (Podemos) – Atacou o ex-presidente Lula e aproveitou para exaltar o trabalho do juiz Sérgio Moro e da PF na Lava Jato. Dias defendeu que a experiencia da operação se tornasse uma política pública de combate a corrupção.

Cabo Daciolo (Patriota) – Após roubar a cena no primeiro debate, o candidato foi mais discreto no encontro desta sexta-feira. Apresentou poucas propostas e foi pouco requisitado por outros candidatos. Em muito momentos foi o último a ser escolhido para responder as questões dos outros candidatos.

Henrique Meireles (MDB) – Aproveitou o espaço para reafirmar sua biografia perante o eleitor. Ele também fez questão de exaltar o seu legado como presidente do Banco Central no governo Lula e seu papel na criação de milhares de empregos na época. Falou sobre sua passagem no governo Temer e salientou que nunca teve seu nome envolvido em nenhum caso de corrupção.

Jair Bolsonaro (PSL) – Talvez pelo formato do debate, o candidato liberal não teve vida fácil no evento promovido pela RedeTV. Apresentou poucas propostas, mostrou insegurança em questões mais técnicas de economia e tentou focar sua estratégia em temas polêmicos como ideologia de gênero, aborto e legalização das drogas. Perdeu a calma em debate com a candidata Marina Silva (Rede).

Marina Silva (Rede) – A ex-senadora falou sobre saúde, economia, educação e preservação do meio ambiente. Ela também mostrou uma faceta mais combativa ao questionar Bolsonaro sobre a paridade de direitos entre homens e mulheres. Ao ter sua fé questionada pelo candidato Liberal,  Marina acabou protagonizando um dos momentos mais quentes do evento e arrancou aplausos da plateia.